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Tarcísio reconhece a vitória de Lula, agradece Flávio e diz que o país segue dividido

Em vídeo de dois minutos, o governador de São Paulo aceitou o resultado, cobrou lições sobre uso da máquina e interferência do Judiciário e pediu à direita uma oposição vigilante.

Por Redação F5 ao vivo
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, em foto oficial
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, em foto oficial Foto: Ciete Silvério/Governo do Estado de SP (CC BY 2.0)

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), falou pela primeira vez sobre o resultado do segundo turno nesta terça-feira (27). Mais de 24 horas depois da confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), ele publicou um vídeo de cerca de dois minutos nas redes sociais.

Na mensagem, Tarcísio reconheceu o resultado das urnas, mas não citou o nome do presidente reeleito. Agradeceu nominalmente a Flávio, de quem foi um dos principais cabos eleitorais no segundo turno, e aos cerca de 60 milhões de eleitores que votaram na oposição.

Obrigado, Flávio, por caminhar com a gente.

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo

Reconhecer sem calar

O governador separou o reconhecimento do resultado das críticas ao processo. Ele listou o uso da máquina pública, programas de governo lançados fora do prazo e o que chamou de interferência do Judiciário como pontos que marcaram a disputa e que, segundo ele, precisam deixar lições.

Reconhecer o resultado não significa calar sobre os excessos.

Tarcísio de Freitas

Tarcísio também disse que o resultado mostra um país dividido e cobrou responsabilidade das lideranças. Para ele, as promessas de campanha devem ser examinadas com rigor, porque a conta chega ao contribuinte, e a falta de confiança continua depois da votação.

O papel da direita daqui para frente

O governador defendeu que a direita atue como uma oposição vigilante a partir do Congresso Nacional e dos governos estaduais, de olho nas contas públicas e ajudando a pacificar as instituições. Sobre São Paulo, prometeu seguir com as entregas do governo estadual e fechou o vídeo com a frase que deu o tom da fala.

A eleição passou, o Brasil continua.

Tarcísio de Freitas

O vice-governador, Felício Ramuth (MDB), também se manifestou nas redes. Ele reconheceu a derrota de Flávio, disse respeitar a decisão das urnas e lembrou que o próprio PL pediu a prorrogação do horário de votação em alguns locais no dia da eleição.

O que os números de São Paulo mostram

Flávio venceu no estado, com 14.139.178 votos contra 12.119.274 de Lula. Mas o crescimento entre os turnos foi do petista: Lula somou 2.613.861 votos a mais do que no primeiro turno em São Paulo, mais que o dobro do que Flávio ganhou no mesmo período, 1.217.155 votos.

Análise F5 ao vivo

Tarcísio demorou mais de um dia para falar e, quando falou, escolheu cada palavra. Reconheceu a derrota sem dizer o nome de Lula, agradeceu Flávio sem citar o sobrenome Bolsonaro e trocou o tom de campanha pelo de quem governa o maior estado do país. É o discurso de quem sabe que vai ser cobrado em 2030 e quer chegar lá sem carregar o peso da contestação das urnas.

As críticas que ele fez têm fundamento e merecem resposta. Programas lançados em ano eleitoral e decisões judiciais que mudaram a regra no meio do jogo, como a prorrogação da votação, precisam ser explicadas por quem as tomou, porque a Constituição pede regra clara antes da disputa (art. 16) e Poderes que não invadam o espaço um do outro (art. 2º).

O dado de São Paulo é o recado mais duro para a direita: mesmo vencendo no estado, Flávio perdeu o segundo turno ali para o ritmo de crescimento de Lula. A oposição vigilante que Tarcísio propõe vai precisar, antes de tudo, entender onde perdeu esses votos.

Fontes: Metrópoles, SBT News. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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