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Moraes manda a PF prender Márcio Canella, deputado eleito no RJ, e ex-chefe da Polícia Civil

Oitava fase da Operação Unha e Carne mira rede de 96 postos de combustíveis que teria movimentado R$ 7,6 bilhões. Caso corre no STF dentro da ADPF das Favelas.

Por Redação F5 ao vivo
Alexandre de Moraes, ministro do STF que mandou prender Canella e Amim
Alexandre de Moraes, ministro do STF que mandou prender Canella e Amim Foto: Marcelo Camargo (CC BY 3.0 br)

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira (15) o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), eleito em 4 de outubro como o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, com 197.178 votos. Também foi preso o delegado Marcus Amim, que comandou a Secretaria de Polícia Civil do estado entre 2023 e 2024, no governo Cláudio Castro.

As prisões foram decretadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, na oitava fase da Operação Unha e Carne. Canella foi detido em casa, num condomínio da Barra da Tijuca.

O que a PF investiga

Segundo a PF, o alvo é uma organização criminosa armada que usaria uma rede de postos de combustíveis da Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro. Um relatório do Coaf enviado aos investigadores aponta movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.

Os crimes apurados são organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.

  • 6 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão
  • Cidades: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo
  • 112 empresas com atividades suspensas e bens bloqueados, 96 delas postos de combustíveis

Além de Canella e Amim, quatro inspetores da Polícia Civil aparecem entre os alvos, e a Corregedoria da corporação acompanhou o cumprimento dos mandados. O Metrópoles informou que seis investigados foram presos. Até a publicação desta notícia, as defesas não tinham se manifestado nas reportagens consultadas.

Segunda prisão de Canella

Não é a primeira vez que Canella vai para a cadeia nesta investigação. Na sexta fase, em 7 de julho, ele foi alvo de busca e apreensão e acabou preso em flagrante depois que os agentes acharam um fuzil calibre 5.56 em um carro dele. Na época, disse que a arma não era sua. Quatro dias depois, o próprio Moraes mandou soltá-lo com tornozeleira eletrônica.

Como a operação chegou até aqui

A Unha e Carne começou em dezembro de 2025 para apurar vazamento de informações sigilosas de operações contra o Comando Vermelho. Depois, a PF passou a investigar uma rede de proteção ao crime organizado que, segundo os investigadores, envolveria agentes públicos, parlamentares, integrantes do Judiciário e operadores financeiros.

Fases anteriores atingiram o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estava preso, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, investigado por suposto vazamento, o deputado estadual Thiago Rangel, preso por suspeita de fraude em contratos da Secretaria de Educação, e o contraventor Adilsinho, apontado como nome forte do jogo do bicho.

A apuração faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II e segue as determinações do STF na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. Em 6 de outubro, a direção-geral da PF se reuniu com Moraes para tratar do assunto.

Análise F5 ao vivo

Uma rede de postos que teria lavado R$ 7,6 bilhões, com policiais e políticos no meio, precisa ser investigada até o fim, e quem tiver culpa provada tem que pagar. O problema não é a investigação. O problema é quem está conduzindo e por qual porta o caso entrou no Supremo.

O artigo 102 da Constituição lista quem é julgado pelo STF em matéria penal: presidente, vice, congressistas, ministros, procurador-geral e poucos outros. Deputado estadual eleito, ex-prefeito e delegado não estão na lista. A ADPF 635 é uma ação de controle de constitucionalidade sobre letalidade policial nas favelas, não um inquérito criminal. Usar esse processo como guarda-chuva para decretar prisões no Rio estica a competência do Supremo muito além do texto e tira dos investigados o juiz natural garantido no artigo 5º, inciso LIII.

Há ainda o mesmo ministro que solta em julho e prende em outubro, enquanto supervisiona a PF de perto, com reunião marcada com a direção-geral. O artigo 3º-A do Código de Processo Penal manda o juiz ficar fora da investigação. Combate ao crime e respeito à Constituição não são opostos: uma condenação que nasce de um foro errado é exatamente o que a defesa vai usar para derrubar tudo depois.

Fontes: Metrópoles, InfoMoney, Diário do Nordeste, Agência Brasil (julho). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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