Bispo da igreja de Flávio diz que a eleição terminou e pede para não profetizar o caos
JB Carvalho, da Comunidade das Nações, publicou que não há terceiro turno e apagou a imagem horas depois. Malafaia, do outro lado, defendeu a saída de Flávio do país.

O bispo JB Carvalho, que preside a Comunidade das Nações, igreja de Brasília onde o senador Flávio Bolsonaro (PL) e a mulher se batizaram em janeiro de 2024, publicou na quarta-feira (28) uma mensagem dizendo que a eleição presidencial acabou. A postagem veio três dias depois da vitória de Lula (PT) no segundo turno.
A imagem trazia a frase "As eleições terminaram. Não tem terceiro turno. Vida que segue". Na legenda, o bispo escreveu: "Vamos viver a vida. Pare de profetizar o caos". Segundo o Estadão, a imagem foi apagada horas depois. A primeira a noticiar a postagem foi a Folha de S.Paulo.
Férias do debate político
Nos stories, Carvalho escreveu que era "hora de virar a página". Na manhã desta quinta-feira (29), publicou outra imagem dizendo estar "de férias do debate político" e cansado da polarização, e afirmou que vai continuar orando pelo Brasil. O perfil dele no Instagram é fechado.
O tom mudou ao longo da semana. No domingo da votação, antes do resultado, o bispo postou que aquele era um grande dia para o Brasil. Na segunda-feira (26), já com a derrota de Flávio confirmada, escreveu que Jesus continua no trono e que o país verá um avivamento.
O Poder360 procurou o bispo sobre a mensagem e não teve resposta até a publicação da reportagem.
O contexto
A fala do líder religioso contrasta com os passos do próprio Flávio. O senador deixou o Brasil com a família depois que a Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte dele, 7 minutos depois de o TSE declarar o resultado, às 21h09 do domingo (25). O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou o pedido. Já nos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta em que se dizia "presidente eleito" e, horas depois, trocou o termo por "líder do Brasil".
Pelo resultado oficial, Lula teve 64.256.232 votos (51,79%) e Flávio, 59.826.041 (48,21%).
Malafaia vai na direção oposta
Outra voz evangélica de peso escolheu defender o senador. Em vídeo publicado também na quarta-feira (28), o pastor Silas Malafaia disse que Flávio agiu certo ao sair do país e acusou Moraes de perseguição política.
"Queria que Flávio ficasse aqui para ser preso?"
Silas Malafaia, pastor
Para Malafaia, o pedido da PF minutos depois do resultado mostra que o ministro age como "agente político no STF". A PF justificou a medida pelo risco de fuga: Flávio é investigado num inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao advogado Willer Tomaz. Os dois negam irregularidades.
Análise F5 ao vivo
A mensagem de JB Carvalho é um conselho pastoral, e vale ser lida assim. Pedir que os fiéis parem de anunciar desgraça e voltem à vida comum é papel de quem cuida de gente, e a igreja não existe para sustentar um projeto eleitoral derrotado. Apagar a imagem horas depois, porém, mostra o tamanho da pressão que o púlpito evangélico sofre quando a política entra na nave.
Isso não apaga a pergunta que Malafaia faz em voz alta. Um pedido de apreensão de passaporte 7 minutos depois da proclamação do resultado, autorizado pelo mesmo ministro que conduz inquéritos contra a oposição, merece explicação pública. A Constituição garante o juiz natural e o devido processo legal (art. 5º, incisos LIII e LIV), e a confiança no Judiciário depende de que essas garantias apareçam nos atos, não só no papel.
Os dois pastores podem ter razão ao mesmo tempo. A eleição terminou, e a fé do brasileiro não pode ficar refém do terceiro turno. E o país também não deve aceitar sem questionar decisões que dão à oposição a sensação de que a regra muda conforme o réu.
Fontes: Poder360: Pastor de Flávio diz que eleições terminaram e rejeita 3º turno, Estadão, via Correio: Líder religioso de Flávio Bolsonaro defende resultado das eleições, Poder360: "Queriam que Flávio ficasse aqui para ser preso?", diz Malafaia. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.





