Vorcaro diz à PF ter entregue mais R$ 20 milhões em dinheiro vivo a ministro de Lula
Dono do Banco Master afirma que o caixa 2 a Alexandre Silveira irrigou campanhas de prefeitos do PSD em 2024. Com 2022, a conta chega a R$ 40 milhões. O ministro nega e fala em "maledicência".

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, contou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República que entregou R$ 20 milhões em espécie ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), na eleição municipal de 2024. O relato, revelado pela coluna de Thiago Herdy no Metrópoles, faz parte de mais uma tentativa de Vorcaro de fechar acordo de delação premiada.
O que Vorcaro conta
Segundo o banqueiro, o dinheiro de 2024 saiu fracionado, nas semanas antes da votação, e serviu a campanhas de candidatos a prefeito em Minas Gerais apoiados pelo PSD. Nada disso teria sido declarado à Justiça Eleitoral.
O novo relato se soma ao que já tinha vazado em junho: outros R$ 20 milhões em caixa 2 para a campanha de Silveira ao Senado por Minas, em 2022, eleição que ele perdeu para Cleitinho (Republicanos). Somadas, as duas entregas chegam a R$ 40 milhões.
Vorcaro aponta o cunhado, o pastor Fabiano Zettel, como quem providenciava o dinheiro. Como prova, entregou mensagens trocadas com Zettel sobre saques em espécie, numa delas perguntando se o valor deveria seguir para Belo Horizonte. O banqueiro diz que não pediu nem recebeu contrapartida direta: o objetivo seria manter boa relação com o ministro.
O que o ministro responde
Silveira nega ter recebido caixa 2 e chamou a história de "maledicência". Em nota, afirmou que as doações da campanha de 2022 seguiram a lei eleitoral e tiveram as contas aprovadas pela Justiça, e classificou a divulgação como "manipulação deliberada". Ele lembrou ainda que PF e PGR recusaram as propostas de delação. Não respondeu quando conheceu Vorcaro.
O que a investigação já tem
Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero, e cumpre a prisão na Papudinha, em Brasília. A PF e a PGR já rejeitaram três propostas de delação dele, por considerarem que o banqueiro escondia fatos que a própria investigação tinha descoberto. Zettel também foi preso, em janeiro e de novo em março.
Até agora não há inquérito aberto contra Silveira, e as mensagens apresentadas não provam, sozinhas, que o dinheiro chegou ao destino. Em junho, investigadores já tinham avaliado o relato sobre 2022 como insuficiente.
O que pesa contra o ministro é a proximidade com o banqueiro. Em dezembro de 2024, Lula recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto, fora da agenda oficial, para tratar da situação do Master. Silveira estava na sala, ao lado de Rui Costa, Gabriel Galípolo e Guido Mantega, apontado como quem articulou o encontro.
Análise F5 ao vivo
Delação de preso não é prova, e o portal não trata Silveira como culpado. Mas o governo também não pode tratar o caso como fofoca. Um ministro em exercício é citado duas vezes, com valor, ano e intermediário, pelo homem que ele ajudou a levar ao gabinete do presidente fora da agenda.
O caminho previsto na Constituição é simples: quem investiga é a polícia (art. 144) e quem acusa é o Ministério Público (art. 129). Se as mensagens de Zettel valem alguma coisa, a PF tem como seguir o dinheiro. Se não valem, que isso fique dito em documento, e não só em nota de assessoria. Silêncio do Planalto sobre o encontro de dezembro de 2024 só alimenta a dúvida.
Fontes: Metrópoles (coluna Thiago Herdy), ND Mais, Gazeta do Povo. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






