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Flávio se diz "verdadeiro presidente eleito" em carta e troca para "líder do Brasil" uma hora depois

Já nos Estados Unidos, o senador divulgou um texto contestando a vitória de Lula, mudou o trecho mais forte e disse que vai liderar a oposição de fora do país.

Por Redação F5 ao vivo
Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo com Donald Trump, em maio de 2026
Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo com Donald Trump, em maio de 2026 Foto: Domínio público, via Wikimedia Commons

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula no segundo turno de domingo (25), divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta escrita depois de chegar aos Estados Unidos com a mulher e as duas filhas. Na primeira versão, ele se apresentava como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Cerca de uma hora depois, o trecho foi trocado por "líder do Brasil".

O texto circulou primeiro pelo jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo o Poder360, uma das versões trazia o brasão com a grafia antiga "Brazil", com Z.

O que diz a carta

Flávio nega ter fugido. Ele afirma que viajou por se sentir mais seguro fora do país e resume a decisão numa frase:

"Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil"

Flávio Bolsonaro, senador (PL-RJ)

No texto, o senador chama a vitória de Lula de "golpe de Estado" e fala em "caça às bruxas politicamente motivada", que segundo ele começou com o pai, Jair Bolsonaro. Não apresenta provas de fraude. Diz ainda que vai liderar a oposição a partir do exterior, que nos próximos dias vai apresentar uma estratégia de mobilização e agradece a Donald Trump e a Javier Milei pela acolhida.

Ele também se compara a nomes que agiram fora do país ou contra governos que consideravam ilegítimos, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.

Os 34.808 votos depois das 17h

O centro da contestação é a decisão do ministro Cristiano Zanin, que estendeu a votação das 17h para as 19h por causa de chuvas e de problemas no transporte. O pedido foi do PT, mas a campanha de Flávio também havia pedido a prorrogação. Pelos dados citados pelo Poder360, só 34.808 votos foram registrados no país inteiro entre 17h e 19h.

A diferença final foi de cerca de 4,4 milhões de votos. Lula teve 64.256.232 votos (51,79%) e Flávio, 59.826.041 (48,21%), segundo o TSE.

A saída do país e a reação

Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira (27) pela fronteira com a Argentina, passou pelo Equador e seguiu para os Estados Unidos. Na segunda-feira (26), a Polícia Federal, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, havia mandado o senador entregar os passaportes comum e diplomático, e ele estava proibido de sair do país.

O PL e o vice da chapa, Alfredo Gaspar, já reconheceram o resultado, assim como o TSE e governos estrangeiros. Até a publicação desta notícia, o STF não havia respondido à carta, que acusa a Corte de estar "aparelhada".

Análise F5 ao vivo

A troca de palavra em uma hora diz muito. "Presidente eleito" é uma afirmação que não para em pé: o TSE proclamou o resultado, o próprio partido de Flávio o reconheceu e a conta dos votos depois das 17h não fecha com a tese de virada. Ao recuar para "líder", Flávio admite na prática que o argumento não se sustentava.

Isso não apaga o que motivou a saída. Segundo o Poder360, a PF pediu o recolhimento dos passaportes sete minutos depois da proclamação do resultado, e Moraes aprovou no mesmo dia. É razoável discutir se uma medida tão dura respeita o art. 5º, LIV, da Constituição, que exige o devido processo legal. A crítica a essa decisão é legítima.

O problema é misturar as duas coisas. A oposição ganha força quando aponta excesso de juiz com a lei na mão. Perde quando contesta urna sem prova. Flávio, de fora do país, vai precisar escolher qual das duas brigas quer liderar.

Fontes: Poder360, Metrópoles. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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