Trump aprova entrada de Flávio nos EUA e jatinho do senador tem pouso previsto em Miami
Departamento de Estado confirma vistos para o senador, a mulher e as filhas. O Gulfstream que saiu do Equador às 6h22 segue para o aeroporto executivo de Opa-locka, na Flórida.

O governo de Donald Trump abriu as portas dos Estados Unidos para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Um conselheiro do presidente americano disse à CNN que Trump aprovou a entrada do brasileiro no país, e o Departamento de Estado confirmou que vai emitir vistos para ele, a mulher, Fernanda, e as duas filhas.
Na manhã desta quarta-feira (28), o jato Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW, operado pela Baires Fly, voava rumo a Miami. Segundo o FlightAware, o destino é o Miami-Opa Locka Executive Airport, terminal usado por jatos particulares, com pouso previsto entre 10h18 e 10h40 no horário de Brasília. Até a publicação desta notícia, não havia confirmação oficial de que o avião tinha pousado.
O caminho até a Flórida
A viagem durou menos de 12 horas e contornou o território brasileiro. A sequência, montada a partir da Migração argentina e dos sites de rastreamento de voo, foi esta:
- 22h50 de terça (27): a família cruza a Ponte Tancredo Neves, de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazú.
- 23h30: embarque no jatinho rumo a Guayaquil, no Equador.
- 5h46 de quarta (28): pouso no Equador.
- 6h22: decolagem para Miami.
O voo virou o mais acompanhado do mundo no Flightradar24. Às 7h41, mais de 11 mil pessoas seguiam o Gulfstream ao mesmo tempo.
Visto não é asilo
A palavra asilo apareceu primeiro nas redes do advogado mexicano Simón Levy, aliado de Trump, que disse que o governo americano tinha autorizado proteção política ao senador e atribuiu ao secretário de Estado Marco Rubio a articulação da saída. Nenhuma autoridade americana confirmou isso. O que o Departamento de Estado afirmou foi a emissão de vistos e a permissão de entrada, o que não equivale a uma decisão sobre pedido de asilo.
O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos
Autoridade do Departamento de Estado, ao Metrópoles
A situação no Brasil
Flávio deixou o país contra uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que mandou reter os passaportes comum e diplomático e proibiu a saída do Brasil, a pedido da Polícia Federal, logo depois da confirmação da vitória de Lula no segundo turno. Como os documentos não foram entregues no prazo, a PF cancelou os dois passaportes na terça. Não há mandado de prisão contra o senador, e por isso ele não é considerado foragido. O PT pediu a prisão preventiva e a inclusão do nome dele na lista vermelha da Interpol.
O senador é investigado num inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que envolve o advogado Willer Tomaz. Ele nega irregularidades. No domingo (25), o Santander informou ao STF que Flávio não aparece entre os usuários da conta da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz, que o ministro mandou verificar.
Análise F5 ao vivo
A pressa de Moraes ajuda a explicar a pressa de Flávio. A ordem de reter os passaportes saiu na mesma noite em que o resultado foi confirmado, num inquérito em que o próprio banco consultado pelo ministro já tinha dito, horas antes, que o senador não era usuário da conta investigada. Restringir a liberdade de locomoção de um parlamentar sem denúncia e sem prova nova pede fundamento forte, porque o art. 5º, XV, da Constituição garante a qualquer pessoa o direito de sair do país em tempo de paz, e o art. 53 dá ao congressista proteções que não podem ser tratadas como detalhe.
Isso não muda o fato de que havia uma ordem judicial e ela foi descumprida. O caminho certo era recorrer ao plenário do STF, e não atravessar a fronteira de madrugada. Agora a disputa sai do tribunal e vai para a diplomacia: com visto americano na mão, Flávio vira um caso entre Brasília e Washington, e cada passo de Moraes daqui em diante vai ser lido também nos EUA.
Fontes: CNN Brasil, Metrópoles, Poder360 (cronologia), Poder360 (voo ao vivo). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






