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Tarcísio diz que aconselhou Flávio a ficar no Brasil e chama retenção do passaporte de intimidação

Em entrevista ao Estadão, o governador de São Paulo contou que ele, advogados e Rogério Marinho pediram ao senador que não deixasse o país e recorresse à Justiça Eleitoral. Disse que não julga a viagem e que a eleição acabou.

Por Redação F5 ao vivo
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, em foto oficial
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, em foto oficial Foto: Ciete Silvério/Governo do Estado de SP (CC BY 2.0)

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que aconselhou Flávio Bolsonaro (PL) a não sair do Brasil depois da derrota no segundo turno. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo na quarta-feira (28) e repercutiu ao longo desta quinta (29).

Segundo Tarcísio, a orientação saiu de uma reunião com advogados e aliados, entre eles o senador Rogério Marinho (PL), quando o grupo discutia a mensagem que Flávio divulgaria depois do resultado. O governador disse que não sabia do plano de viagem do senador.

O conselho que nós demos a ele, os advogados, eu, o Marinho, as pessoas que estavam ali reunidas, foi que ficasse.

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo

O caminho sugerido era a Justiça Eleitoral

De acordo com o governador, a ideia era que Flávio não anunciasse que deixaria o país nem dissesse que não reconheceria o resultado. A sugestão foi recorrer à Justiça Eleitoral com ações de investigação por abuso de poder político e econômico, previstas na lei, contra a campanha de Lula (PT). Tarcísio tratou o pedido de cassação da chapa como um passo normal do processo.

Usa esse remédio jurídico e não fala que vai sair.

Tarcísio de Freitas

Lula foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79%). Flávio teve 59.826.041 votos (48,21%), segundo os números do TSE citados pelo Poder360.

Passaporte e Moraes

Tarcísio criticou o pedido da Polícia Federal para reter os passaportes do senador, feito sete minutos depois de o TSE proclamar o resultado, às 21h09 do domingo (25). O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou a medida e proibiu Flávio de deixar o país. Para o governador, não há hoje nada de concreto contra o senador, e ele classificou a ordem como intimidação.

Mesmo tendo dado o conselho contrário, Tarcísio evitou condenar a viagem do aliado aos Estados Unidos. Lembrou que Jair Bolsonaro está preso e disse entender o peso que isso tem sobre a família.

Respeito às urnas

A entrevista saiu depois da carta em que Flávio se apresentou como "verdadeiro presidente eleito" e, uma hora depois, trocou o texto para "líder do Brasil". Tarcísio seguiu outra linha: defendeu que a oposição reconheça o resultado e atue dentro das instituições.

A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente.

Tarcísio de Freitas

Análise F5 ao vivo

Tarcísio fez nesta entrevista o que Flávio não fez: separou a contestação legítima, que passa pela Justiça Eleitoral e pela lei, da recusa em aceitar a contagem. É o tom de quem governa o maior estado do país e sabe que vai precisar conversar com Brasília pelos próximos quatro anos.

Ao mesmo tempo, ele não abandonou o aliado. A crítica à retenção do passaporte toca num ponto que merece debate: medida cautelar contra quem não é réu nem foi denunciado precisa de fundamento concreto, e a velocidade do pedido, sete minutos depois do resultado, alimenta a leitura de perseguição. O art. 5º, LIV, da Constituição garante que ninguém será privado da liberdade sem o devido processo legal.

Com Flávio fora do país e cercado de dúvidas sobre o mandato, a fala de Tarcísio o coloca como a voz mais ouvida da oposição neste momento. A pergunta que fica para os próximos meses é se ele quer ocupar esse espaço.

Fontes: Poder360, Times Brasil, Tribuna de Jundiaí. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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