Pular para as notícias
Ao vivo Batida entre trens de alta velocidade em Toledo, na Espanha, deixa ao menos 68 mortos
No Instagram

Mortes de bebês em hospital da Mooca: o que a polícia já investiga no Salvalus

Inquérito no 8º DP apura ao menos seis mortes após cirurgias, há 12 boletins de ocorrência e famílias falam em 36 casos. Ex-técnica de enfermagem relata rotina de óbitos na UTI neonatal. O hospital nega.

Por Redação F5 ao vivo
F5 ao vivo
Imagem ilustrativa.

A Polícia Civil de São Paulo investiga mortes de bebês e crianças de até três anos no Hospital e Maternidade Salvalus, na Rua Bresser, na Mooca, zona leste da capital. A unidade pertence à rede Hapvida. O inquérito foi aberto em 21 de outubro no 8º Distrito Policial, no Brás, que centraliza a apuração.

Quantos casos estão na mesa

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, ao menos seis mortes estão formalmente sob investigação. O número de registros, porém, cresce. O Metrópoles contou nove boletins de ocorrência no 8º DP, três deles feitos depois que o caso veio a público, e outros três em delegacias diferentes. Há registros em Praia Grande, Itaquaquecetuba e na Vila Maria.

A assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que acompanha as famílias, diz estar em contato com 36 mães que perderam filhos no hospital. O Metrópoles teve acesso a 16 certidões de óbito só de 2026. A Vigilância Sanitária fez inspeção na unidade em 23 de outubro para avaliar 35 óbitos, os protocolos de controle de infecção e os indicadores de assistência.

O que as famílias relatam

Os relatos falam em crianças internadas para cirurgias de correção de malformação ou do aparelho digestivo, consideradas de baixo risco, que tiveram infecção generalizada, a sepse, e morreram. A suspeita em análise é de infecção hospitalar. Nada disso está confirmado: cada morte será apurada em separado, e não há até agora prova de uma causa comum.

"As famílias estão desoladas"

Eduarda Fragnan Gomes, assistente jurídica que representa mães

O relato da ex-técnica

Uma ex-técnica de enfermagem que trabalhou seis meses na UTI neonatal em 2023 contou ao Metrópoles, sem se identificar, que via cerca de uma morte por dia na unidade, de 18 leitos. Ela comparou com outras duas UTIs neonatais onde trabalhou, em que os óbitos aconteciam a cada um ou dois meses. Também descreveu equipe sobrecarregada, falta de insumos, médicos pouco experientes e troca de antibióticos em rodízio.

Quem mais investiga

Além da polícia e da Vigilância Sanitária, o Conselho Regional de Medicina (Cremesp) e o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-SP) apuram o caso. A Polícia Civil informou que vai ouvir testemunhas e profissionais de saúde e analisar os prontuários das crianças.

O que dizem o hospital e a Hapvida

O Salvalus afirma que as informações divulgadas não procedem e que seus dados de assistência mostram outro cenário. Diz ser referência em gestação de alto risco e pediatria de alta complexidade, com pacientes prematuros extremos, com malformações e síndromes genéticas, e que atendeu mais de mil crianças neste ano. Segundo o hospital, as avaliações internas não encontraram origem infecciosa comum entre os casos.

A Hapvida se solidarizou com as famílias e disse que um termo de ajustamento de conduta citado nas reportagens trata de fatos de 2016, anteriores à compra da unidade, e já foi arquivado.

Análise F5 ao vivo

Seis mortes no inquérito, 12 boletins e 36 mães procurando advogado não são a mesma coisa, e é justamente essa distância que a investigação precisa fechar. Quem tem filho internado ou cirurgia marcada no Salvalus quer uma resposta objetiva: houve ou não houve surto de infecção na UTI neonatal.

A Vigilância Sanitária já tem os números de óbito e os protocolos na mão. Divulgar o resultado da inspeção, com taxa de infecção e comparação com outras UTIs neonatais, é o caminho mais rápido para proteger as famílias e, se for o caso, o próprio hospital de suspeitas sem base. Silêncio prolongado só aumenta a angústia de quem perdeu um filho.

Fontes: Metrópoles, Gazeta SP, Bahia Notícias. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

Gostou? Mande para quem precisa saber

Veja também