Secretário-adjunto de Guarujá deixa o cargo após posts sobre não contratar eleitores de Lula
Airton Sinto pediu exoneração da pasta de Direitos Humanos depois de publicações contra petistas. A prefeitura diz que a opinião é pessoal, e o MPT já soma 530 relatos de assédio eleitoral desde o 2º turno.

O advogado Airton Sinto deixou o cargo de secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de Guarujá, no litoral paulista. Ele pediu exoneração na terça-feira (27), depois da repercussão de publicações nas redes sociais contra eleitores do presidente Lula (PT). A saída saiu no Diário Oficial do município nesta quarta-feira (28).
O que ele publicou
As postagens começaram depois do segundo turno de domingo (25), vencido por Lula. Segundo a CBN Santos e o Metrópoles, Sinto escreveu em perfil aberto no Facebook que não compraria, não contrataria e não advogaria para eleitores do PT, e incentivou empresários a fazer o mesmo.
Em um vídeo com dicas para empresários, ele sugeriu não manter na empresa funcionários que veem o patrão como opressor. O post foi apagado depois da repercussão. Em outra publicação, defendeu que empresários de direita em estados onde a esquerda venceu fechassem as portas e reabrissem em São Paulo.
A CBN Santos relata ainda que ele publicou a conversa com uma mulher que pedia ajuda para comprar uma cesta básica e disse que deixaria de ajudá-la ao ver que ela comemorava a vitória de Lula.
Prefeitura, OAB e a defesa
A gestão do prefeito Farid Said Madi (Podemos) informou em nota que a exoneração foi a pedido e que as manifestações foram pessoais, sem refletir a posição do governo municipal.
A subseção da OAB-SP em Guarujá divulgou nota dizendo que discriminar alguém por convicção política é incompatível com o Estado Democrático de Direito e lembrou que agente público deve seguir a impessoalidade. A entidade não abriu processo disciplinar, e a inscrição dele segue regular.
Ao Metrópoles, Sinto se declarou um homem de direita e afirmou que deu opinião sem ofensa, sem incitar perseguição ou violência e fora da função pública. Disse também que está sendo ofendido e ameaçado nas redes.
O boicote depois da eleição
O caso de Guarujá não é isolado. O Poder360 mostra que, desde o resultado, circulam em grupos de WhatsApp de várias cidades listas de comércios e prestadores de serviço apontados como de eleitores de Lula, com chamadas para boicote, demissão e recusa de contratação.
O Ministério Público do Trabalho registrou 530 relatos de assédio eleitoral até o fim da tarde de terça (27), depois da divulgação do resultado. No ano, já são 2.467. O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, afirmou que o órgão vai à Justiça do Trabalho contra demissões motivadas por convicção política. O Ministério do Trabalho também condenou a campanha.
Análise F5 ao vivo
Quem ocupa um cargo de Direitos Humanos não pode tratar o cidadão pelo voto que ele deu. O artigo 37 da Constituição manda a administração agir com impessoalidade, e o artigo 5º, inciso VIII, diz que ninguém perde direito por convicção política. A saída de Sinto foi o desfecho correto, e veio a pedido, sem precisar de demissão.
O mesmo vale para o outro lado do balcão. Demitir ou ameaçar empregado pelo voto é assédio eleitoral, e a lei protege o trabalhador de qualquer partido. Escolher onde gastar o próprio dinheiro é direito de cada um. Usar a empresa ou o cargo público para punir quem votou diferente não é.
A eleição acabou no domingo. O país dividido ao meio precisa trabalhar, comprar e contratar junto, e a oposição ganha mais fiscalizando o governo do que caçando o eleitor do vizinho.
Fontes: Metrópoles, CBN Santos, Poder360. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






