Jordânia prende três e bombardeia a Síria depois de ataque que matou nove em velório numa igreja
Atiradores abriram fogo durante um funeral numa igreja ortodoxa grega em Karak, no sul do país. Dois irmãos e um cunhado foram presos depois de três horas de tiroteio.

A Jordânia, um dos países mais estáveis para os cristãos no Oriente Médio, ainda chora os mortos de um ataque contra a sua minoria cristã. Na sexta-feira (23), atiradores entraram numa igreja ortodoxa grega no vilarejo de Hamoud, na província de Karak, cerca de 120 km ao sul de Amã, e dispararam contra as famílias que acompanhavam um velório.
Nove pessoas morreram, segundo a contagem mais usada pelas agências internacionais. O Ministério da Saúde jordaniano registrou 40 feridos. Na segunda-feira, 27 deles ainda estavam internados no hospital militar de Karak, um em estado grave depois de cirurgia. O governo decretou três dias de luto nacional.
Três horas de tiroteio
Na madrugada de segunda-feira (26), as forças de segurança encontraram os suspeitos escondidos numa casa abandonada no vilarejo de Al-Jadeeda, a poucos quilômetros da igreja. Eles se recusaram a se render e atiraram contra os policiais. O confronto durou cerca de três horas, segundo fonte do governo ouvida pela Al Jazeera.
Os três foram baleados e presos. São dois irmãos e o cunhado deles, todos jordanianos. Na casa, a polícia achou armas e munição. Nenhum agente se feriu.
A polícia classificou os atiradores como extremistas sunitas, mas disse que eles não têm ligação com nenhum grupo organizado. Ninguém reivindicou o ataque, e o motivo ainda não foi esclarecido oficialmente.
O terrorismo não tem lugar entre nós
Diretoria de Segurança Pública da Jordânia
Resposta na Síria
No mesmo dia das prisões, a força aérea jordaniana atacou grupos armados no sul da Síria, em retaliação ao massacre, segundo a imprensa estatal. A TV estatal síria informou bombardeios perto do vilarejo de al-Masmiyah, na província de Daraa, e relatou vítimas civis, sem dar números. A Jordânia não disse quais grupos foram atingidos.
O rei Abdullah II mandou responder com punho de ferro, prometeu as penas mais duras aos responsáveis e ordenou uma revisão dos procedimentos de segurança. O ministro do Interior, Mazen al-Faraya, culpou um pensamento extremista e avisou que, se ele não for enfrentado, ataques assim vão se repetir.
Quem são os cristãos de Karak
Os cristãos são cerca de 300 mil dos 11,5 milhões de habitantes da Jordânia. Karak, cidade conhecida pelo castelo dos tempos das Cruzadas, concentra uma parte importante dessa comunidade. Parentes das vítimas disseram que as prisões trouxeram algum alívio, mas que a dor continua.
Análise F5 ao vivo
O ataque de Karak quebra uma imagem que a Jordânia construiu por décadas: a de refúgio dos cristãos numa região onde igrejas foram queimadas no Iraque, na Síria e no Egito. Atirar contra um velório, dentro de uma igreja, é escolher o momento em que a família está mais frágil. Não há como tratar isso como crime comum.
A resposta do governo foi rápida e firme, e isso conta. Mas a frase do ministro do Interior é a mais importante da semana: o problema é a ideia que forma o atirador. Prender três homens resolve o caso; não resolve o ódio que os levou até a porta da igreja.
Para a igreja no Brasil, fica o chamado à oração pelos cristãos do Oriente Médio, que seguem firmes na terra onde o Evangelho começou, mesmo pagando com a vida.
Fontes: Al Jazeera, NBC News, CBS News, Vatican News. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






