Relatório da Ajuda à Igreja que Sofre mostra perseguição a cristãos pior em 10 de 18 países
Estudo lançado em Londres aponta 220 milhões de cristãos expostos diretamente à perseguição. Nenhum dos países analisados melhorou entre 2024 e 2026.

A perseguição contra cristãos ficou mais grave em 55% dos países avaliados pela fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN, na sigla em inglês). O relatório "Perseguidos e Esquecidos?" foi lançado na terça-feira (27) no Parlamento britânico, em Londres, e cobre o período de agosto de 2024 a junho de 2026.
Foram 18 países analisados na África, na Ásia, no Oriente Médio e na América Latina. Em 10 deles a situação piorou. Em nenhum ela melhorou.
Os números
- Cerca de 413 milhões de cristãos vivem em países com violação grave da liberdade religiosa.
- Mais de 220 milhões estão expostos diretamente às formas mais duras de perseguição.
- Segundo o Pew Research Center, houve assédio contra cristãos, do insulto ao assassinato, em 165 países em 2023, contra 160 em 2021.
A lista do relatório inclui China, Nigéria, Paquistão, Mianmar, Burkina Faso, Coreia do Norte, Egito, Eritreia, Índia, Irã, Iraque, Mali, Moçambique, Nicarágua, Síria, Sudão, Turquia e Vietnã.
África é o centro da violência
Na Nigéria, os ataques no Cinturão Médio já tiraram de casa mais de 3,5 milhões de pessoas, segundo a ACN. Em Yelewata, mais de 200 cristãos teriam sido mortos numa só noite. Em Burkina Faso, grupos jihadistas controlam ao menos 40% do território, e onde a fé é tolerada ela fica presa dentro da igreja, sem poder ser ensinada às crianças. No Mali, comunidades cristãs são obrigadas a seguir regras islâmicas de roupa e conduta.
O relatório traz o relato de Solomon Ako, de 33 anos, sequestrado num ataque à aldeia dele perto de Zaria, no norte da Nigéria. Os sequestradores exigiam que ele abandonasse a fé. Ele conta que ficou horas com água fria até o pescoço e que os reféns rezavam à noite para aguentar.
Ásia e América Latina
No Irã, as prisões de cristãos quase dobraram em 12 meses. Na China, o governo apertou a política de "sinização" da religião, proibiu transmissão religiosa na internet sem autorização e prende em massa fiéis de igrejas clandestinas. A Índia teve mais de 700 casos de violência contra cristãos em 2025. No Paquistão, meninas de minorias religiosas são sequestradas e forçadas a se converter e casar.
Na Nicarágua de Daniel Ortega, o regime confiscou bens da Igreja, fechou seminários, expulsou centenas de padres e barra a entrada de quem chega com Bíblia. O presidente da conferência dos bispos do país foi exilado em novembro de 2024.
Por trás desses números há rostos, pessoas e famílias
Marta Petrosillo, diretora do relatório
A ACN pede que todos os países e a ONU cumpram o artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que garante a liberdade de religião. Em 18 de novembro, a fundação faz a 10ª edição da Quarta-Feira Vermelha, quando igrejas e monumentos são iluminados de vermelho pelos perseguidos.
Análise F5 ao vivo
O dado que mais pesa não é o de piora. É o de que nenhum país melhorou em dois anos. A perseguição a cristãos virou paisagem, e o próprio observador da Santa Sé na ONU, o arcebispo Ettore Balestrero, reclamou que a imprensa internacional costuma minimizar ou ignorar essa hostilidade.
O caso da Nicarágua deveria incomodar o Brasil de perto. É um governo da América Latina, aliado histórico de parte da esquerda brasileira, que expulsa padres e trata Bíblia como contrabando, a poucas horas de voo daqui.
Para quem lê aqui, o recado é simples: orar, informar-se em fonte séria e não deixar que esses nomes virem só estatística.
Fontes: ACI Digital, Gazeta do Povo, Vatican News, InfoVaticana. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.





