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Ao vivo Lula vai gravar vídeo para campanha no exterior enquanto Itamaraty cobra a Argentina por Flávio
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Lula vai gravar vídeo para campanha no exterior enquanto Itamaraty cobra a Argentina por Flávio

Reeleito, o presidente deve apoiar candidatos de esquerda nos EUA e na Europa. No mesmo dia, veio a público que o Itamaraty chamou a diplomata argentina para explicar a saída de Flávio Bolsonaro pela fronteira.

Por Redação F5 ao vivo
Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília
Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília Foto: Senado Federal (CC BY 2.0)

O presidente Lula, reeleito no domingo, deve gravar vídeos de apoio a candidatos de esquerda e de centro nos Estados Unidos e na Europa. A informação é do blog de Gustavo Uribe, na CNN Brasil, publicada nesta sexta-feira (30). Segundo a apuração, os pedidos chegam ao Planalto por assessores e aliados desde a vitória no segundo turno.

No mesmo dia, o Metrópoles confirmou uma informação revelada antes pelo UOL: o Itamaraty chamou na quinta-feira (29) a encarregada de negócios da Argentina em Brasília, Emilia Cortés, para pedir dados sobre um possível envolvimento do governo de Javier Milei na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do país.

O que a CNN apurou

De acordo com o blog, dirigentes de partidos na Espanha e no México repetiram o gesto do "L", marca da campanha de Lula. Nos Estados Unidos, candidatos do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato elogiaram o resultado brasileiro. O texto trata a vitória como uma resposta à influência americana em eleições de outros países.

O deputado André Janones, que comandou a campanha digital de Lula no segundo turno, também recebeu convites para ajudar em eleições na Europa, segundo a CNN. Não houve anúncio oficial do Planalto sobre os vídeos.

A agenda externa do presidente segue cheia: viagens à Turquia e às Filipinas em novembro e ida aos Estados Unidos em dezembro, para o G20, onde deve haver o primeiro encontro com Donald Trump depois da eleição.

A conversa com a Argentina

Segundo o Metrópoles, a conversa com Emilia Cortés durou poucos minutos e foi conduzida pelo embaixador que cuida dos países do Mercosul. Fontes diplomáticas disseram ao jornal que não houve reprimenda, só um pedido de informações, em linha com a orientação do Planalto de não esticar a corda com Buenos Aires e Washington.

A relação já estava rebaixada desde agosto, quando o Brasil deixou de ter embaixador em Buenos Aires depois dos ataques de Milei a Lula na convenção do PL. Hoje a embaixada argentina em Brasília funciona só com a encarregada de negócios.

O que se sabe da saída de Flávio

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio, a mulher e as duas filhas entraram pela Ponte Tancredo Neves, em Puerto Iguazú, às 22h50 da terça-feira (27), e embarcaram às 23h30 num avião particular da Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador. Dali o grupo seguiu para Miami. O órgão disse que ele tinha documento válido e nenhum impedimento legal registrado.

No domingo (26), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, tinha proibido o senador de deixar o Brasil e mandado entregar os passaportes. O site argentino Chequeado lembra que ainda não se sabe qual documento ele apresentou na fronteira nem se havia alerta da Interpol no sistema. Na Argentina, deputados de oposição apresentaram denúncias e pediram que ministros de Milei expliquem o caso no Congresso.

Análise F5 ao vivo

O governo tem razão em querer saber se um país vizinho ajudou alguém a escapar de uma ordem judicial brasileira. Mas a cobrança perde força quando o próprio presidente se oferece para fazer campanha em eleições de outros países no mesmo dia.

A Constituição põe a não intervenção entre os princípios das relações internacionais do Brasil (art. 4º, IV). Esse princípio vale para Milei e vale para o Planalto. Quem acusa o vizinho de se meter na política brasileira não deveria gravar vídeo pedindo voto para candidato estrangeiro.

Quanto a Flávio, a origem do problema continua sendo a ordem de Moraes que tirou o passaporte de um senador sem condenação. Questionar essa decisão é legítimo. Sair do país contra a ordem é outra coisa, e quem decidiu fazer isso terá de responder por ela.

Fontes: CNN Brasil (blog de Gustavo Uribe), Metrópoles, Chequeado, Gazeta do Povo. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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