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Lula diz na Globo ser a favor de reduzir a maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos

Na sabatina depois do Jornal Nacional, o presidente mudou o discurso que defendia desde 2015, mas pediu que o tema fique fora da PEC da Segurança, retirada da pauta do Senado no mesmo dia.

Por Redação F5 ao vivo
Lula em entrevista coletiva em Washington, em maio de 2026
Lula em entrevista coletiva em Washington, em maio de 2026 Foto: Lula Oficial (CC BY-SA 4.0)

O presidente Lula (PT) disse na noite desta quinta-feira (15) que é a favor de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos nos crimes hediondos, como homicídio qualificado, latrocínio e estupro. A declaração foi dada na sabatina ao vivo com a jornalista Renata Lo Prete, nos estúdios da TV Globo no Rio, exibida depois do Jornal Nacional.

Eu sou favorável a reduzir para 16, mas não discutindo nessa PEC.

Lula, presidente da República

Lula disse que fala como cidadão e que a sociedade brasileira apoia punir qualquer crime hediondo. Ao mesmo tempo, defendeu uma ordem: primeiro o Congresso aprova a PEC da Segurança Pública, depois discute a idade penal. Ele também criticou a proposta da oposição de baixar a idade para 14 anos.

O que o governo dizia antes

A fala vai contra o que o próprio Lula e o governo defendiam. Em maio de 2015, ele se disse contra a redução e afirmou que o crime cometido por jovens se combate com oportunidade e educação. Em julho do mesmo ano, criticou a ideia como forma de jogar sobre o adolescente uma responsabilidade que o Estado não cumpre.

Em março de 2026, o Ministério dos Direitos Humanos se manifestou contra a mudança em nome do governo. O argumento era que mexer no artigo 228 da Constituição, que fixa a idade de 18 anos, fere direitos fundamentais e que a entrada precoce na prisão não reduz a violência. O PT historicamente também se opõe à medida.

A PEC que saiu da pauta

No mesmo dia, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tirou a PEC da Segurança Pública da pauta do plenário. A discussão já tinha começado, mas faltou acordo dentro do PT sobre as emendas de maioridade. A líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), tinha combinado votar o texto sem esse tema. Alcolumbre disse que a decisão foi dele, não do governo, e não marcou nova data.

Duas emendas disputam o assunto. A do líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), baixa a idade para 16 anos em qualquer crime e para 14 em casos como crimes hediondos, tortura, tráfico, terrorismo e atuação em organização criminosa. A de Camilo Santana (PT-CE), líder do PT no Senado e coordenador da campanha de Lula, fixa 16 anos só para crimes hediondos e mantém 18 para os demais. Parte da bancada petista resiste, porque qualquer mudança faz a PEC voltar para a Câmara.

Próximos passos

Por ser emenda à Constituição, a PEC precisa de pelo menos 49 votos em dois turnos no Senado e não passa por sanção presidencial. Se os senadores alterarem o texto, ele volta para os deputados. Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, apoia a emenda de Marinho e é o entrevistado da Globo nesta sexta-feira (16). O debate entre os dois na emissora está marcado para 23 de outubro.

Análise F5 ao vivo

Em 2015, reduzir a maioridade era, para Lula, empurrar ao adolescente a culpa de um Estado ausente. Em março deste ano, o governo dele dizia que mexer no artigo 228 feria direitos fundamentais. A nove dias do segundo turno, a mesma medida virou posição de cidadão. A mudança pode ser sincera, mas chega no momento em que a segurança pública pesa no voto e depois que a oposição pôs o tema na mesa.

O detalhe que importa está no "mas". Ao dizer que apoia os 16 anos, só que não nesta PEC, Lula aceita a ideia e adia a decisão. Foi exatamente o que aconteceu no Senado horas antes: a votação caiu porque o PT não se entendeu sobre o tema. Quem quer saber o que vai mudar de verdade precisa olhar o placar das emendas, não a entrevista.

Fontes: Poder360, Poder360: Alcolumbre retira PEC da Segurança da pauta, Metrópoles, Gazeta do Povo. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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