Homem que deu voadora em idoso de muleta se entrega e é preso em São Paulo
Denis Young Kim, de 43 anos, se apresentou no 99º DP com advogado. Ele já cumpria pena por matar um carroceiro com uma flecha em 2016 e passa por audiência de custódia nesta quinta.

O comerciante Denis Young Kim, de 43 anos, se entregou à polícia nesta quarta-feira (4) e foi preso. Ele é suspeito de agredir com uma voadora um idoso de 78 anos que andava de muletas em Osasco, na Grande São Paulo, na sexta-feira (30).
Kim chegou ao 99º Distrito Policial, no Campo Grande, zona sul da capital, acompanhado do advogado. Por volta das 18h30 saiu da delegacia rumo ao Instituto Médico Legal para o exame de corpo de delito. A audiência de custódia está marcada para esta quinta-feira (5).
O que mostram as imagens
Uma câmera de segurança gravou a agressão na Rua Octalles Marcondes Ferreira, no bairro Helena Maria. José Ricardo dos Santos caminhava de muletas quando o carro do comerciante passou muito perto dele. O idoso encostou a ponta da muleta na traseira do veículo, em sinal de reclamação.
O motorista desceu, acertou uma voadora nas costas da vítima e, com o idoso já no chão, pisou na cabeça dele. José Ricardo ficou desacordado na calçada.
A ordem de prisão
A Secretaria da Segurança Pública trata o caso como tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil. O registro foi feito no 5º DP de Osasco. No domingo (1º), a Justiça aceitou o pedido da Polícia Civil e decretou a prisão temporária do comerciante, que desde então era considerado foragido.
O histórico do suspeito
Kim não é réu primário. Em 2021, foi condenado a 14 anos de prisão pela morte do carroceiro Aldemir Ribeiro Pontes, atingido no pescoço por uma flecha disparada de uma balestra em setembro de 2016, no Bom Retiro, centro de São Paulo. A briga começou porque a carroça teria arranhado o carro dele. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, ele cumpria a pena em regime aberto desde setembro de 2025.
O Estadão, citado pela Folha de Pernambuco, também lista uma acusação de tentativa de homicídio contra o padrasto, a facadas, em 2013, e registros de violência doméstica em 2014.
O que diz a vítima
José Ricardo se recupera em casa de ferimentos na cabeça, nas costelas e nas mãos. Em entrevista à TV Globo na terça-feira (3), contou que não se lembra de ter batido no carro e cobrou uma explicação do agressor.
Foi maldade, não pode fazer isso comigo na rua.
José Ricardo dos Santos, 78 anos, vítima da agressão
A defesa do comerciante não havia se manifestado publicamente até a última atualização.
Análise F5 ao vivo
Um homem condenado por matar um trabalhador com uma flecha depois de uma discussão de trânsito estava de novo na rua, ao volante, cinco anos depois da sentença. E o roteiro se repetiu: um arranhão ou um toque no carro, e a resposta foi violência contra alguém que não tinha como se defender.
A Justiça agiu rápido desta vez, com a prisão temporária decretada em dois dias. Mas o caso reabre uma pergunta que São Paulo precisa responder: quem avaliou que um condenado por homicídio qualificado com histórico de agressões estava pronto para o regime aberto? Se a progressão de pena não olha o comportamento do preso, quem paga é o cidadão na calçada.
Fontes: Metrópoles, Metrópoles, Folha de Pernambuco (com Estadão), Metrópoles (entrevista da vítima). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.




