Jogador de 20 anos chora em campo e denuncia racismo em jogo no interior de Posse
Kaique Ramos diz que ouviu "negro rajado" ao pedir licença para cobrar um lateral no Povoado Cachimbo. A PM identificou o suspeito, que ainda não foi localizado, e a Polícia Civil investiga.

Um jogador de 20 anos denunciou ter sido alvo de ofensa racista durante uma partida de futebol no Povoado Cachimbo, na zona rural de Posse, no nordeste de Goiás. Kaique Ramos disputava um campeonato da comunidade no domingo (1º) quando, segundo ele, foi chamado de "negro rajado" por um homem que estava na beira do campo.
O vídeo que mostra o jovem caído no gramado, chorando enquanto outras pessoas tentam consolá-lo, se espalhou pelas redes e foi mostrado pelas TVs de Goiás.
O que ele conta
De acordo com o relato dado à TV Anhanguera, Kaique foi cobrar um lateral e pediu licença ao homem, que estava no lugar da cobrança. Em vez de sair, o homem teria respondido com a ofensa. O atleta diz que parou no meio do campo, perdeu as forças e não conseguiu mais jogar.
Em nenhum momento eu desrespeitei ele, só pedi licença
Kaique Ramos, jogador
Ele também contou que o mesmo homem já tinha dito coisas parecidas para parentes dele e que, naquela vez, a família deixou passar. Depois do jogo, passou a noite sem dormir e pensou em largar o futebol. Os amigos o convenceram a procurar a polícia.
Quando você sofrer racismo, não deixe barato. Denuncie!
Kaique Ramos, jogador
O que a polícia já fez
A Polícia Militar foi chamada ao campo. Em nota, o 24º Batalhão informou que, quando a equipe chegou, o homem apontado pela vítima já tinha ido embora. O serviço de inteligência da PM fez buscas e identificou o suspeito, mas ele ainda não tinha sido localizado até a divulgação da nota. O nome não foi divulgado.
Os policiais acompanharam o jogador até a Delegacia de Polícia Civil de Posse, onde o caso foi registrado na segunda-feira (2). A Polícia Civil investiga. Até agora não há informação sobre indiciamento ou prisão. A organização do campeonato divulgou nota sobre o caso.
O que diz a lei
Desde a Lei 14.532, de 2023, a injúria racial foi equiparada ao crime de racismo. A pena é de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa, e a Constituição (art. 5º, XLII) diz que o racismo é crime inafiançável e imprescritível. Quem presenciar ou sofrer um caso pode chamar a PM pelo 190, procurar a delegacia mais próxima ou denunciar pelo Disque 100.
Análise F5 ao vivo
O caso de Posse não aconteceu em estádio, com câmera de TV e súmula de árbitro. Aconteceu num campo de povoado, num torneio de comunidade, que é onde a maior parte dos goianos joga bola no fim de semana. É ali que a ofensa costuma passar sem registro, porque todo mundo se conhece e a vítima tem medo de criar caso.
Kaique fez o contrário e deu o recado certo. A PM agiu rápido ao ir ao campo e identificar o suspeito. Agora cabe à Polícia Civil ouvir as testemunhas, ouvir o acusado, que tem direito de se defender, e levar o caso ao Ministério Público. Um torneio de várzea só continua sendo lugar de lazer se quem passa do limite responde pelo que fez.
Fontes: g1 Goiás, g1 Goiás (relato do jogador), Blog do Antônio Carlos (nota da PM), O Popular. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.




