Marinho lança candidatura ao Senado, diz ter 40 votos e avisa o STF: 'não seremos omissos'
Líder da oposição promete pautar a anistia do 8 de janeiro e analisar pedidos de impeachment de ministros. Alcolumbre tem apoio de PT, MDB, PSD e da federação União-PP.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) saiu da reunião da bancada do PL nesta quarta-feira (4) como candidato oficial à presidência do Senado no biênio 2027-2028. Líder da oposição na Casa, ele vai enfrentar Davi Alcolumbre (União-AP), que tenta a reeleição. A votação é secreta e está marcada para 1º de fevereiro de 2027.
Na conversa com jornalistas, Marinho disse que já conta com pelo menos 40 senadores. Para vencer no primeiro turno são necessários 41 dos 81 votos.
As duas promessas
O senador apresentou o que pretende levar ao plenário se for eleito. A primeira é a votação de uma proposta de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Segundo O Tempo, ele disse que o texto deve seguir o processo legislativo normal, como qualquer outro projeto.
A segunda é a análise dos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. Marinho evitou transformar o tema em bandeira única de campanha, mas deixou o recado.
"Mas nós não seremos omissos, porque ninguém está acima da lei"
Rogério Marinho (PL-RN), candidato à presidência do Senado
Segundo a Jovem Pan, ele também avisou que o Senado sob seu comando não ficaria parado diante de eventual descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal pelo governo. Ao mesmo tempo, prometeu não travar a agenda do Planalto: medidas que considerar boas seriam aprovadas.
A conta dos votos
O PL terá 29 das 81 cadeiras a partir de 2027, a maior bancada da Casa. Marinho citou o apoio dos três senadores do Novo e de integrantes do PP e do Republicanos. Ele também defendeu que os senadores tornem o voto público, mas disse que o partido ainda vai discutir uma posição.
Do outro lado, Alcolumbre já reuniu apoio declarado do MDB, do PSD, do PT e da federação União-PP, segundo a CartaCapital. Marinho acusou o adversário de buscar votos com recursos e verbas.
Tereza Cristina ainda no páreo
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém a pré-candidatura, mesmo com a própria federação fechada com Alcolumbre. Marinho disse que os dois conversaram nesta quarta e que vão chegar a um nome único no momento certo.
"Tereza é nossa parceira"
Rogério Marinho, sobre a senadora Tereza Cristina
Não é a primeira tentativa dele. Em 2023, Marinho disputou contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e perdeu por 49 a 32.
Análise F5 ao vivo
A frase do dia não foi sobre anistia. Foi sobre omissão. Pela Constituição, cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crime de responsabilidade (art. 52, II). O pedido chega, mas quem decide se ele anda é o presidente da Casa, sozinho. Os pedidos contra ministros do STF ficaram parados na mesa da presidência, sem ir a voto. O que Marinho promete é tirar essa decisão do silêncio e levar ao voto, para aprovar ou rejeitar.
A anistia segue o mesmo raciocínio: o art. 48, VIII, diz que conceder anistia é atribuição do Congresso. Pautar não é aprovar. É deixar o plenário decidir o que hoje é decidido pela falta de pauta.
O desafio é aritmético. Com voto secreto e Alcolumbre já com PT, MDB, PSD e a federação União-PP, os 40 votos que Marinho diz ter precisam aparecer na urna de fevereiro. Por isso a briga pelo voto aberto pode decidir a eleição antes dela acontecer.
Fontes: g1, CartaCapital, O Tempo, Jovem Pan. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






