Alcolumbre acena com anistia e PL lança Marinho na disputa pelo Senado
O PL marcou para esta quarta a oficialização de Rogério Marinho contra a reeleição de Alcolumbre, que tenta atrair a oposição falando em anistia a Bolsonaro e aos presos do 8 de janeiro.

A briga pela cadeira mais alta do Senado começou três meses antes da hora. O PL marcou para esta quarta-feira (4), depois de uma reunião da bancada às 11h, a oficialização do senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à presidência da Casa. Do outro lado está Davi Alcolumbre (União-AP), que quer ser reconduzido e já começou a pedir votos com uma oferta que mexe com a oposição: a anistia.
A isca da anistia
Segundo a Gazeta do Povo, Alcolumbre passou a acenar com a possibilidade de aprovar anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo seria rachar a bancada do PL e esvaziar a candidatura de Marinho. Ele também teria sugerido segurar pedidos de impeachment contra ministros do STF e falado em reformas na estrutura da Corte.
O aceno não agradou ao governo. De acordo com a reportagem, o Planalto não deu aval ao movimento e o PT considera inegociável a punição dos envolvidos no 8 de janeiro e a inelegibilidade de Bolsonaro. Senadores petistas reclamaram de transformar o Senado em balcão de favores.
O PL fecha com Marinho
Marinho foi coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e é o nome do partido desde a semana passada. Na terça (3), o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), confirmou a escolha.
"Rogério Marinho já está definido, é o nosso candidato ao Senado"
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara
O partido terá a maior bancada do Senado na próxima legislatura, com 28 senadores, segundo a CNN Brasil. Como o voto para a Mesa é secreto, a direção do PL estuda pedir que cada senador declare o voto em público, para evitar traição.
Oposição ainda dividida
Marinho não é o único nome da direita. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém a pré-candidatura, e aliados do senador potiguar admitem que vão precisar somar forças com ela. O problema é que a federação União-Progressista, de PP e União Brasil, já fechou apoio oficial à reeleição de Alcolumbre.
O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) foi contra o próprio partido. Na semana passada, ele disse nas redes que não votará em Alcolumbre, criticou a forma como o presidente do Senado tratou os pedidos de impeachment de ministros do STF e defendeu que a oposição se una em torno de Marinho ou de Tereza Cristina.
Câmara fica para depois
Na Câmara, o PL adiou a decisão para a reunião da bancada da próxima quarta (11). Uma ala quer apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB), que já soma o apoio de 15 partidos, e outra quer candidatura própria. As eleições das duas Mesas estão marcadas para 1º de fevereiro de 2027.
Análise F5 ao vivo
Anistia não é favor de presidente do Senado. A Constituição dá ao Congresso Nacional a competência de conceder anistia (art. 48, VIII), por lei votada nas duas Casas. Usar o tema como moeda numa eleição interna, prometendo o que depende de plenário, é tratar uma questão de justiça como item de negociação de cargo.
O mesmo vale para os pedidos de impeachment de ministros do STF. Processar e julgar ministro do Supremo por crime de responsabilidade é dever do Senado (art. 52, II). Engavetar ou liberar pedidos conforme a conveniência da eleição da Mesa é o oposto do que a Constituição manda. Foi exatamente essa omissão que Derrite apontou.
Para a oposição, o recado é simples: com dois nomes e voto secreto, quem ganha é quem já está na cadeira. Se a direita quer mesmo um Senado que exerça suas prerrogativas, vai ter de chegar a fevereiro com um candidato só e com cada voto à mostra.
Fontes: Gazeta do Povo, CNN Brasil, Poder360, O Antagonista, Gazeta do Povo. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






