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Gerdau para de produzir aço em Divinópolis e deputado culpa o governo Lula

Cerca de mil trabalhadores são afetados. A empresa cita minério caro e aço importado; o deputado Eduardo Azevedo (PL) diz que a usina não resistiu ao governo federal.

Por Redação F5 ao vivo
Vista de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais
Vista de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais Foto: Paulo JC Nogueira (CC BY-SA 3.0)

A Gerdau anunciou na terça-feira (3) que vai encerrar a produção de aço na usina de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Segundo a prefeitura, a decisão atinge cerca de mil trabalhadores, entre funcionários próprios e terceirizados.

O número equivale a 7,4% de toda a mão de obra da indústria da cidade. A empresa diz que vai transferir parte dessas pessoas para outras unidades e oferecer cursos para quem precisar procurar um novo emprego.

O que a empresa alega

No comunicado, a Gerdau aponta três motivos: falta de minério de ferro a preço competitivo, a entrada crescente de aço importado no mercado brasileiro e condições ruins para exportar. A companhia diz que vai concentrar a produção nas usinas mais competitivas para manter o caixa saudável.

Os números do terceiro trimestre de 2026 mostram o tamanho do problema no Brasil. Enquanto o Ebitda global da empresa cresceu 31,9% em 12 meses, o da operação brasileira caiu 26%. As vendas no país recuaram 14,6%, e as de aços longos, o tipo feito em Divinópolis, caíram 20,7%. As exportações de aço brasileiro da empresa despencaram 47,9%.

O peso para a cidade

O estrago não fica só nos empregos diretos. A prefeitura estima que a usina responde por cerca de 15% do ICMS que chega ao município. Em volta dela giram perto de 2 mil empresas, 93% delas microempresas.

Vamos intensificar as conversas com o setor produtivo e fazer tudo o que está ao alcance do Município, sem promessas que não dependem de nós

Janete Aparecida (Avante), prefeita de Divinópolis

A reação política

O deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), irmão do governador eleito de Minas, Cleitinho (Republicanos), pôs a culpa no Planalto. Ele lembrou que a usina recebeu investimentos anunciados no governo Bolsonaro e na gestão de Gleidson Azevedo na prefeitura.

A Gerdau sobreviveu à pandemia, mas não sobreviveu ao regime Lula

Eduardo Azevedo (PL), deputado estadual

Eduardo também mirou as deputadas federais eleitas Lohanna França (PV) e Ana Elisa (PT), de Minas. Segundo ele, as duas foram às ruas convocar atos a favor do governo e não demonstram preocupação com o emprego da população da região.

Análise F5 ao vivo

O fechamento de Divinópolis não é um raio em céu azul. A Gerdau já vinha cortando vagas no país, inclusive em Pernambuco, e reclamando há meses da enxurrada de aço importado vendido abaixo do custo. O alerta estava dado, e a resposta do governo federal não segurou nem a produção nem os empregos.

Quando a própria empresa mostra lucro crescendo lá fora e queda de 26% aqui dentro, o recado é claro: o problema está no ambiente de negócios do Brasil, com custo alto, insumo caro e pouca proteção para quem produz no país. Quem paga a conta é o metalúrgico de Divinópolis e o pequeno comércio que vive em volta da usina.

Discurso não paga salário. A cidade precisa de saída concreta para mil famílias, e Brasília deve uma explicação sobre por que uma das maiores siderúrgicas do país acha mais vantajoso desligar fornos em Minas do que continuar produzindo aqui.

Fontes: Gazeta do Povo, Metrópoles, Diario de Pernambuco. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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