Gerdau para de produzir aço em Divinópolis e deputado culpa o governo Lula
Cerca de mil trabalhadores são afetados. A empresa cita minério caro e aço importado; o deputado Eduardo Azevedo (PL) diz que a usina não resistiu ao governo federal.

A Gerdau anunciou na terça-feira (3) que vai encerrar a produção de aço na usina de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Segundo a prefeitura, a decisão atinge cerca de mil trabalhadores, entre funcionários próprios e terceirizados.
O número equivale a 7,4% de toda a mão de obra da indústria da cidade. A empresa diz que vai transferir parte dessas pessoas para outras unidades e oferecer cursos para quem precisar procurar um novo emprego.
O que a empresa alega
No comunicado, a Gerdau aponta três motivos: falta de minério de ferro a preço competitivo, a entrada crescente de aço importado no mercado brasileiro e condições ruins para exportar. A companhia diz que vai concentrar a produção nas usinas mais competitivas para manter o caixa saudável.
Os números do terceiro trimestre de 2026 mostram o tamanho do problema no Brasil. Enquanto o Ebitda global da empresa cresceu 31,9% em 12 meses, o da operação brasileira caiu 26%. As vendas no país recuaram 14,6%, e as de aços longos, o tipo feito em Divinópolis, caíram 20,7%. As exportações de aço brasileiro da empresa despencaram 47,9%.
O peso para a cidade
O estrago não fica só nos empregos diretos. A prefeitura estima que a usina responde por cerca de 15% do ICMS que chega ao município. Em volta dela giram perto de 2 mil empresas, 93% delas microempresas.
Vamos intensificar as conversas com o setor produtivo e fazer tudo o que está ao alcance do Município, sem promessas que não dependem de nós
Janete Aparecida (Avante), prefeita de Divinópolis
A reação política
O deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), irmão do governador eleito de Minas, Cleitinho (Republicanos), pôs a culpa no Planalto. Ele lembrou que a usina recebeu investimentos anunciados no governo Bolsonaro e na gestão de Gleidson Azevedo na prefeitura.
A Gerdau sobreviveu à pandemia, mas não sobreviveu ao regime Lula
Eduardo Azevedo (PL), deputado estadual
Eduardo também mirou as deputadas federais eleitas Lohanna França (PV) e Ana Elisa (PT), de Minas. Segundo ele, as duas foram às ruas convocar atos a favor do governo e não demonstram preocupação com o emprego da população da região.
Análise F5 ao vivo
O fechamento de Divinópolis não é um raio em céu azul. A Gerdau já vinha cortando vagas no país, inclusive em Pernambuco, e reclamando há meses da enxurrada de aço importado vendido abaixo do custo. O alerta estava dado, e a resposta do governo federal não segurou nem a produção nem os empregos.
Quando a própria empresa mostra lucro crescendo lá fora e queda de 26% aqui dentro, o recado é claro: o problema está no ambiente de negócios do Brasil, com custo alto, insumo caro e pouca proteção para quem produz no país. Quem paga a conta é o metalúrgico de Divinópolis e o pequeno comércio que vive em volta da usina.
Discurso não paga salário. A cidade precisa de saída concreta para mil famílias, e Brasília deve uma explicação sobre por que uma das maiores siderúrgicas do país acha mais vantajoso desligar fornos em Minas do que continuar produzindo aqui.
Fontes: Gazeta do Povo, Metrópoles, Diario de Pernambuco. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






