Gilmar critica silêncio de Nunes Marques no TSE e diz que o colegiado salvou a eleição
Sem citar nomes, o decano do STF cobrou postura de árbitro equidistante de quem preside o TSE. A crítica volta ao domingo do 2º turno, quando Zanin estendeu a votação no lugar da Justiça Eleitoral.

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, publicou na noite de segunda-feira (2) uma análise no X sobre a condução do Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2026. Ele não citou nomes, mas o alvo, segundo Poder360 e Metrópoles, é o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.
Para Gilmar, quem comanda o órgão que organiza o pleito precisa manter a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe. Ele afirmou que, nesse tipo de cargo, o que não se diz também pesa.
"Silêncios e hesitações não são neutros."
Gilmar Mendes, decano do STF
Segundo o ministro, a falta de manifestação pode abrir espaço para decisões contraditórias e virar pretexto para quem ataca o sistema eleitoral. Ao mesmo tempo, ele elogiou o plenário do TSE: disse que, desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel, mas que a solidez da eleição não pode depender só da força do colegiado.
O domingo que explica a crítica
O pano de fundo é o 2º turno de 25 de outubro. A campanha de Lula pediu primeiro mais tempo de votação em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, por problemas no transporte público. Depois ampliou o pedido e foi ao STF. A campanha de Flávio Bolsonaro também havia pedido prorrogação.
Nunes Marques não decidiu o caso a tempo. No fim da tarde, já no horário de fechamento das urnas, o ministro Cristiano Zanin, do STF, mandou estender a votação até as 19h em todo o país. Mais tarde, Zanin restringiu o alcance: a prorrogação valeu só para seções que ainda estavam abertas. O TSE então orientou os tribunais regionais a cumprir a ordem.
Segundo o TSE, 34.393 votos foram registrados depois das 17h. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos.
Depois da apuração
Em 28 de outubro, depois que Flávio Bolsonaro deixou o país e divulgou uma carta em que se apresentou como líder do Brasil, Nunes Marques soltou nota dizendo que o eleitorado escolheu legitimamente seus representantes e que a eleição correu dentro da mais absoluta normalidade. Flávio já havia dito que pretende pedir a anulação da votação na Justiça.
Até a publicação desta reportagem, Nunes Marques não havia respondido à crítica de Gilmar.
Análise F5 ao vivo
Gilmar tem razão num ponto: quem preside a Justiça Eleitoral precisa decidir na hora certa, e o silêncio do TSE naquele domingo deixou um vazio. Mas o vazio foi ocupado por um ministro do Supremo, sozinho, atendendo a pedido de uma das campanhas, com as urnas já fechando.
A Constituição entrega à Justiça Eleitoral a organização do pleito (arts. 118 a 121) e ao STF a guarda da Constituição (art. 102). Quando um ministro do Supremo muda o horário de votação do país inteiro por decisão individual, a régua do árbitro equidistante que Gilmar cobra do TSE vale ainda mais para o próprio STF. Separação de funções (art. 2º) não é detalhe de manual.
O decano celebra o colegiado. Faz sentido. Só que o episódio mais controverso da eleição foi justamente uma decisão monocrática. Se a lição de 2026 é que instituições são maiores que pessoas, ela precisa servir para os dois tribunais.
Fontes: Poder360, Metrópoles, Gazeta do Povo, Diário do Grande ABC. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






