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Lula pode chegar a 2031 com 7 dos 11 ministros do STF indicados por ele

Com a cadeira de Barroso vazia e as aposentadorias de Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, o presidente reeleito terá até quatro vagas para preencher no quarto mandato. Tudo passa pelo Senado.

Por Redação F5 ao vivo
Lula na posse de Cristiano Zanin no STF, em agosto de 2023
Lula na posse de Cristiano Zanin no STF, em agosto de 2023 Foto: Lula Oficial (CC BY-SA 4.0)

Reeleito para o quarto mandato, Luiz Inácio Lula da Silva pode terminar o governo, em janeiro de 2031, com 7 dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal escolhidos por ele. A conta, publicada pelo Poder360 nesta segunda-feira (2), soma os ministros que ele já indicou e que seguem na Corte com as vagas que vão abrir até o fim do mandato.

Hoje, quatro integrantes do STF chegaram ao tribunal por indicação de Lula: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Desses, três ficam até depois de 2031. Cármen Lúcia sai antes, e a cadeira dela também vai para uma escolha do presidente.

As quatro vagas

A primeira já está aberta. Luís Roberto Barroso antecipou a aposentadoria em outubro de 2025, e o nome que Lula mandou para o lugar dele, o advogado-geral da União Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado em abril de 2026, por 42 votos a 34. A cadeira segue vazia até hoje.

As outras três vêm da aposentadoria obrigatória aos 75 anos, regra fixada pela Emenda Constitucional 88, de 2015, a chamada PEC da Bengala:

  • Luiz Fux, indicado por Dilma Rousseff, sai em 26 de abril de 2028
  • Cármen Lúcia, indicada por Lula, sai em 19 de abril de 2029
  • Gilmar Mendes, indicado por Fernando Henrique Cardoso, sai em 30 de dezembro de 2030

O caso de Gilmar é apertado. Ele faz 75 anos seis dias antes do fim do mandato de Lula, em 5 de janeiro de 2031. Não está claro se haverá tempo para indicar, sabatinar e aprovar o sucessor antes da troca de governo.

Quem sobra

Se Lula preencher as quatro cadeiras, só três ministros não terão sido escolhidos por presidentes do PT: Alexandre de Moraes, indicado por Michel Temer, e Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Jair Bolsonaro. Edson Fachin foi indicado por Dilma. Quem assumir a Presidência em 2031 terá, pelas regras de hoje, uma única vaga no mandato inteiro: a de Fachin, em 2033.

O filtro do Senado

A escolha é livre do presidente, mas o nome precisa da maioria absoluta do Senado, 41 dos 81 votos, como manda o artigo 101 da Constituição. O indicado também tem de ser brasileiro nato, ter entre 35 e 70 anos, notável saber jurídico e reputação ilibada.

É aí que mora o obstáculo. O Senado que toma posse em fevereiro de 2027 terá o PL como maior bancada, e o bloco de direita deve somar 49 das 81 cadeiras, segundo o Poder360. Foi com a composição atual, mais favorável ao governo, que Messias já perdeu.

Em setembro, em entrevista ao Canal Livre, da Band, o próprio Lula defendeu mudar o modelo e criar mandato para ministro do Supremo.

Eu sou a favor de mandato.

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

Análise F5 ao vivo

O desenho do Supremo foi pensado para que nenhum governo dominasse sozinho a Corte. A aposentadoria aos 75 anos e a troca de presidentes deveriam espalhar as indicações ao longo do tempo. Um presidente com quatro mandatos quebra essa lógica: se as quatro vagas forem preenchidas, 7 em cada 11 votos do tribunal que julga o próprio governo terão saído da mesma caneta.

Por isso o artigo 101 da Constituição dá ao Senado o papel de filtro, e a rejeição de Messias mostrou que esse filtro funciona. A partir de 2027, com uma bancada maior de oposição, cabe aos senadores sabatinar de verdade, olhar o currículo e a independência de cada nome e recusar quem chegar como extensão do Planalto. A separação dos Poderes do artigo 2º depende disso.

Também chama atenção o timing da defesa de mandato para ministros. A ideia pode ser boa, mas vale para o futuro. Discutida por quem está prestes a nomear a maioria da Corte, ela precisa vir acompanhada de regra que não beneficie quem a propõe.

Fontes: Poder360, Times Brasil. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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