Binance volta a liberar saques depois do maior roubo da história das criptomoedas
Hackers levaram cerca de US$ 6,3 bilhões da corretora em 20 minutos. O FBI aponta um grupo da Coreia do Norte, e a Binance promete cobrir as perdas dos clientes.

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, começou neste domingo (1º) a liberar de novo os saques dos clientes. As retiradas estavam travadas desde quinta-feira (29), quando a empresa percebeu que tinha sido invadida. Segundo os levantamentos das empresas de rastreamento, saíram cerca de US$ 6,3 bilhões das carteiras da corretora, perto de R$ 34 bilhões. É o maior roubo já registrado no mundo das criptomoedas.
Como foi o ataque
A maior parte das transferências aconteceu em cerca de 20 minutos, espalhada por dez redes de blockchain diferentes, segundo a TRM Labs. Os criminosos se prepararam pelo menos 36 horas antes, abastecendo carteiras próprias por meio do misturador Tornado Cash.
Pela apuração preliminar da Binance, a porta de entrada foi o notebook de um engenheiro da área de infraestrutura. Com ele comprometido, o invasor chegou a um sistema interno e disparou saques sem autorização. A própria corretora diz que a investigação achou outros pontos de acesso possíveis e que ainda não há explicação definitiva.
Pela conta da TRM Labs, o dinheiro levado incluía 18.270 bitcoins e mais de 420 mil ethers, que somam cerca de US$ 2,4 bilhões. O restante saiu em stablecoins, as moedas digitais atreladas ao dólar, como USDT e USDC.
Quem está por trás
No sábado (31), o FBI atribuiu o roubo ao TraderTraitor, grupo de hackers ligado ao governo da Coreia do Norte, em comunicado com o Serviço Secreto e a área criminal da Receita dos Estados Unidos. A polícia americana divulgou endereços de carteiras usados no golpe e alertou que o dinheiro pode ser convertido em outras moedas e passar por várias plataformas para esconder a origem.
As empresas de análise TRM Labs e Chainalysis chegaram à mesma conclusão. O grupo é o mesmo apontado pelo ataque de cerca de US$ 1,5 bilhão à corretora Bybit, em fevereiro de 2025, que até agora era o recorde. O caso da Binance é cerca de quatro vezes maior.
O que muda para quem tem cripto
A Binance diz que os fundos dos clientes estão seguros e que a empresa vai arcar com o prejuízo. A corretora afirma ter reunido o equivalente a 95% dos ativos levados, com dinheiro próprio e o fundo de emergência que mantém para esse tipo de caso. Cerca de US$ 3 bilhões foram congelados por emissoras como Tether e Circle e por outras empresas do setor.
Os saques voltam aos poucos, moeda por moeda e rede por rede, depois de checagens de segurança. Os primeiros incluem ether e as stablecoins USDT e USDC. A ordem segue a procura dos clientes na semana anterior ao ataque, e pode haver demora pelo volume de pedidos. Os 5% que faltam dependem da compra de moedas pouco negociadas, e não há prazo para fechar toda a reposição.
O copresidente-executivo Richard Teng disse que a empresa começou a reconstruir e testar de novo a infraestrutura e prometeu um relatório com o resultado da investigação.
Efeito no mercado
A notícia derrubou o bitcoin em mais de 4%, para perto de US$ 78 mil, apagando parte da alta da semana. Ações de empresas do setor, como Coinbase e Strategy, também caíram na abertura das bolsas nos Estados Unidos.
Análise F5 ao vivo
O caso mostra que o maior risco de quem guarda cripto em corretora nem sempre está na tecnologia da blockchain. Está nas pessoas e nas máquinas de quem opera o sistema. Um único notebook comprometido bastou para abrir um rombo de bilhões em menos de meia hora.
Quem tem saldo parado em corretora deve olhar com atenção os comunicados oficiais, ativar todas as camadas de segurança da conta e desconfiar de mensagens que prometem "liberar saque" mais rápido: golpistas costumam aproveitar momentos assim. Para valores grandes e de longo prazo, vale considerar uma carteira própria, que só o dono controla.
Fontes: Revista Oeste, Brazil Journal, Latin Times, NC News. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






