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Ibama multa produtores em R$ 890 mil por milho transgênico no entorno do Parque das Emas

Três fazendas do sudoeste goiano foram autuadas por cultivo em 645 hectares da faixa de proteção do parque. A lavoura já tinha sido colhida quando os fiscais chegaram.

Por Redação F5 ao vivo
Emas no Parque Nacional das Emas, no sudoeste de Goiás
Emas no Parque Nacional das Emas, no sudoeste de Goiás Foto: Flávio Alves - Fravio23 (CC BY-SA 4.0)

O Ibama autuou três propriedades rurais do sudoeste de Goiás por plantar milho transgênico na zona de amortecimento do Parque Nacional das Emas, que fica entre Mineiros e Chapadão do Céu. Os três autos de infração somam cerca de R$ 890 mil.

As lavouras ocupavam 645,43 hectares. Segundo o Ibama, a área autuada equivale a 11,39% da faixa de proteção vistoriada. Quando os fiscais chegaram, o milho já tinha sido colhido.

Como foi a operação

A fiscalização foi feita pelo Ibama junto com o ICMBio, que administra o parque, de 13 a 23 de outubro. Foram 38 ações em todos os imóveis com lavoura na faixa de 500 metros a partir do limite da unidade de conservação.

Os fiscais não encontraram transgênico dentro do parque. Produtores e gerentes das fazendas receberam orientação sobre as regras. O Ibama não divulgou os nomes dos autuados.

O que diz a lei

A Lei 11.460, de 2007, proíbe pesquisa e cultivo de organismos geneticamente modificados em terras indígenas e unidades de conservação, com exceção das Áreas de Proteção Ambiental. O Decreto 5.950, de 2006, cria faixas de restrição no entorno dessas áreas para determinadas culturas transgênicas.

O argumento do Ibama é evitar que material genético das lavouras chegue à área protegida. O órgão cita o risco de transferência de genes para plantas nativas, insetos resistentes a pesticidas e o surgimento de superpragas. A fiscalização na região do Parque das Emas acontece desde 2008.

O precedente da soja

Não é a primeira vez que o entorno do parque vira caso na Justiça. Em 2014, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região manteve multas de mais de R$ 307 mil aplicadas a um produtor que plantou soja transgênica a menos de 500 metros do parque. Na primeira instância, as sanções tinham sido suspensas.

Naquele processo, o produtor pedia a anulação de seis autos de infração, a devolução da soja apreendida e indenização. A Advocacia-Geral da União defendeu o Ibama com base no princípio da precaução, e o tribunal deu razão ao órgão.

Análise F5 ao vivo

O sudoeste goiano é uma das regiões que mais produzem grãos no país, e o milho da segunda safra pesa no caixa de produtores e cooperativas. Uma semente liberada para venda no Brasil inteiro pode virar multa a poucos metros da cerca de um parque nacional, e muita gente só descobre isso quando o auto chega.

A regra existe há quase 20 anos e o precedente da soja mostra que a Justiça tende a manter as multas. Para quem planta perto do Parque das Emas, o caminho mais barato é conferir no mapa onde termina a faixa de proteção antes de escolher a semente, e não depois da colheita.

Fontes: O Hoje, CompreRural, Rota Jurídica (decisão do TRF1 em 2014). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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