Lula quer insistir em Messias no STF, mas aliados pedem Pacheco antes do novo Senado
Reeleito, o presidente sinaliza que vai repetir o nome que o Senado rejeitou em abril. Articuladores do Planalto preferem Rodrigo Pacheco e querem aprovar a indicação ainda em 2026.

A cadeira de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal continua vazia, e a disputa por ela voltou ao centro do governo uma semana depois da reeleição de Lula. Segundo a CNN Brasil, o presidente disse a aliados que pretende insistir em Jorge Messias, advogado-geral da União, o mesmo nome que o Senado barrou no fim de abril.
Do outro lado estão os articuladores do Planalto no Congresso. Eles aconselham Lula a mandar um nome ainda este ano e pedem uma indicação considerada "segura", que passe sem sustos pelo plenário do Senado.
Por que a pressa
O Senado que sai das urnas de 2026 é mais à direita. O PL terá 28 cadeiras a partir de fevereiro de 2027, 19 delas conquistadas nesta eleição. Para os aliados do governo, a janela para aprovar um ministro do STF com folga está na composição atual da Casa, que ainda fica até o fim do ano.
Pela Constituição (art. 101), o indicado precisa ser aprovado pela maioria absoluta do Senado, ou seja, 41 dos 81 senadores.
A derrota de abril
Messias foi rejeitado em 29 de abril por 42 votos a 34. Ele precisava de 41. Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado recusou um indicado ao Supremo, e o governo chamou o resultado de surpresa: os aliados do AGU contavam com cerca de 45 votos.
Na época, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deixou claro o incômodo com a escolha. Ele preferia Rodrigo Pacheco e não recebeu Messias para as conversas de praxe antes da votação. Depois da derrota, senadores da oposição pediram a Alcolumbre que segurasse qualquer nova indicação de Lula até a eleição.
Pacheco volta à mesa
Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado e hoje ministro do Tribunal de Contas da União, é o nome favorito de parlamentares aliados e de parte do Planalto. Ele já era o preferido de Alcolumbre e da cúpula do Senado antes de Lula escolher Messias.
A relação entre Lula e Alcolumbre também melhorou desde abril. O presidente apoiou candidatos de Alcolumbre no Amapá, e o senador acelerou pautas do governo antes da eleição. Segundo a CNN, Lula ainda não decidiu: está em dias de descanso para recuperar a voz e deve amadurecer a escolha depois desta semana.
O que vem antes
A primeira tarefa do governo no Congresso nesta semana é outra. Alcolumbre marcou para terça-feira (3) a votação da PEC da Segurança Pública no Senado, e o Planalto quer aprovar os dois turnos no mesmo dia. O impasse é a redução da maioridade penal, que a oposição quer incluir no texto e que fez a votação sair de pauta em 15 de outubro.
Análise F5 ao vivo
Repetir o nome de Messias seria tratar o voto do Senado como um detalhe a ser vencido pelo cansaço. A Constituição dá ao presidente a escolha, mas dá ao Senado o poder de dizer não (art. 52, III, "a", e art. 101). Em abril, o Senado disse não. Insistir no mesmo nome é desafiar a outra metade do processo, não respeitá-la.
Correr para aprovar um ministro antes da posse dos senadores eleitos também diz muito. Um ministro do STF fica no cargo até os 75 anos, por décadas. Escolher a data da votação para fugir do Senado que o eleitor acabou de escolher pode ser legal, mas é o tipo de cálculo que afasta ainda mais a corte da confiança de quem paga a conta.
O STF precisa de onze ministros, e a vaga está aberta há tempo demais. O caminho mais curto é um nome com currículo técnico, sem ligação com o gabinete do presidente e que passe pelo Senado com conversa, não com pressa.
Fontes: CNN Brasil: Governo Lula retoma articulação com o Congresso após eleições, CNN Brasil (via Jornal Passaporte): Lula é aconselhado a fazer indicação segura ao STF, Jovem Pan: após rejeição a Messias, oposição articula barrar indicações. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






