Rubio nega que os EUA tenham ajudado Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil
Secretário de Estado disse em Atlanta que Washington não organizou a viagem, mas confirmou que Trump mandou liberar a entrada do senador. No Senado, PSOL pede corte do salário.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste sábado (31) que o governo de Donald Trump não participou da organização da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil. A declaração veio numa entrevista coletiva em Atlanta, depois da reunião de chanceleres do G20.
Rubio, porém, confirmou a outra metade da história: Trump já tinha decidido que, se Flávio chegasse a um posto de entrada americano, receberia uma autorização especial de entrada, o chamado parole. E foi o que aconteceu.
"Nós não facilitamos nada"
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA
O que Rubio disse
Segundo o secretário, o governo americano soube da chegada do senador depois que ele já estava no país. Rubio lembrou que Flávio tinha visto anterior e disse que a decisão de permitir a entrada partiu do próprio presidente.
O parole é um mecanismo da lei de imigração dos EUA que permite a entrada temporária de um estrangeiro por razão específica, mesmo fora das regras do visto comum. Na prática, Rubio separou duas coisas: a logística da fuga, que ele nega, e a porta aberta na chegada, que ele admite.
Rubio também disse que deve se encontrar com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, durante o fórum do G7, na França.
O que já se sabe da viagem
Flávio saiu do Brasil por terra, cruzou a fronteira em Foz do Iguaçu (PR) e embarcou num jato particular em Puerto Iguazú, na Argentina. O avião fez escala em Guayaquil, no Equador, e pousou em Miami na manhã de quarta-feira (28), com a esposa e as filhas do senador.
A viagem aconteceu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou recolher os passaportes do senador, a pedido da Polícia Federal. A PF informou que não achou registro da saída dele nos postos brasileiros de controle migratório e apura se houve descumprimento da ordem, mas disse que a proibição de viajar, sozinha, não torna ninguém foragido.
A negativa de Rubio esbarra em relatos da imprensa. O jornal argentino Clarín publicou que agentes americanos teriam coordenado parte dos deslocamentos. The Wall Street Journal e The New York Times relataram que o jato foi arranjado por Jason Miller, assessor de comunicação ligado à Casa Branca, que admitiu ter organizado o voo.
Salário e mandato no Senado
No Brasil, deputados do PSOL liderados por Sâmia Bomfim enviaram ofício ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pedindo que a Casa apure abandono das funções, avalie suspender salário e benefícios e, se houver base legal, aplique a perda do mandato. A deputada Duda Salabert (PSOL-MG) fez pedido parecido.
Segundo o Senado, a saída do país não corta o salário de R$ 46.366,19 de forma automática. O desconto vale para os dias de falta sem justificativa aceita em sessão deliberativa. A Constituição (art. 55, III) prevê a perda do mandato de quem faltar a um terço das sessões ordinárias sem licença, e a decisão cabe à própria Casa.
Análise F5 ao vivo
A fala de Rubio derruba a narrativa de que Flávio é um fugitivo largado à própria sorte. O governo americano não precisou organizar avião nenhum para deixar claro de que lado está: decidiu de antemão abrir a porta para um senador brasileiro que estava sendo alvo de uma ordem de Moraes. Isso é um recado político de Washington sobre como enxerga o que acontece no Supremo brasileiro.
O ponto central continua sendo a ordem que começou tudo. Recolher o passaporte de um senador no exercício do mandato, numa petição sobre a qual ainda não há denúncia do Ministério Público, é medida pesada. A Constituição reserva a acusação ao MP (art. 129, I) e garante que ninguém será processado senão pela autoridade competente (art. 5º, LIII). Quando um ministro acumula investigação e restrição de liberdade, a desconfiança dentro e fora do país vem junto.
Quanto ao corte de salário pedido pelo PSOL, a regra é clara e o Senado já disse qual é: falta sem justificativa se desconta, mandato só cai por decisão da Casa. Transformar um ofício político em punição automática seria atropelar o próprio regimento.
Fontes: Gazeta do Povo, O Hoje, Revista Oeste, Perfil Brasil, DCI. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






