Vieira e Rubio acertam reunião antes do G20 enquanto Trump segue sem reconhecer Lula
Chanceler e secretário de Estado conversaram num coquetel em Atlanta e combinaram um encontro bilateral antes da cúpula de dezembro, em Miami. O Planalto mandou ministros baixarem o tom.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, combinaram fazer uma reunião bilateral antes da cúpula de líderes do G20, marcada para 14 e 15 de dezembro, em Miami. O acerto saiu na sexta-feira (30), em Atlanta, na Geórgia, no primeiro dia da reunião de chanceleres do grupo, que termina neste sábado (31).
Segundo interlocutores do Itamaraty ouvidos pelo Correio Braziliense e pelo NC News, a conversa foi curta e aconteceu durante um coquetel oferecido aos participantes. Data, local e pauta do novo encontro ainda não foram definidos. Na abertura da sessão, os dois só tinham trocado um cumprimento rápido, e até então não havia previsão de bilateral.
Primeiro encontro desde o segundo turno
Atlanta é o primeiro evento com Vieira e Rubio no mesmo lugar desde o segundo turno de domingo (25), em que Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). Washington ainda não reconheceu formalmente o resultado.
Na segunda-feira (26), Donald Trump disse a jornalistas que a votação brasileira pareceu fraudada, sem apresentar prova, e citou a decisão que estendeu o horário de votação. Na mesma fala, afirmou que gosta de Lula e que se dá bem com ele. Na quinta-feira (29), voltou a criticar a eleição, disse que pretende conversar com o presidente brasileiro e não respondeu quem reconhece como presidente legítimo do Brasil, segundo o Metrópoles.
O caso Flávio ficou fora da conversa
O clima entre os dois governos piorou com a saída de Flávio Bolsonaro do país na terça-feira (27), depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandar recolher os passaportes do senador. Flávio passou pela Argentina e desembarcou nos Estados Unidos na quarta-feira (28), com entrada autorizada pelo governo americano.
De acordo com o relato do encontro, o caso do senador não foi tratado na conversa entre Vieira e Rubio. A reunião combinada deve tratar de comércio, tarifas de importação, cooperação internacional e combate ao crime organizado, e pode preparar um eventual encontro entre Lula e Trump em Miami, que ainda não está confirmado.
A ordem do Planalto: baixar o tom
O governo avalia que Trump está isolado, já que o resultado foi reconhecido por lideranças estrangeiras, pelo Congresso, pelo Judiciário e até pelo PL. Segundo o Metrópoles, Lula não deve comentar as falas, ministros foram orientados a não subir o tom e o Planalto não pretende tomar medida diplomática antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, na terça-feira (3).
Os Estados Unidos presidem o G20 neste ano e tentam concentrar a reunião de Atlanta em desequilíbrios comerciais e em minerais essenciais. As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio devem dificultar uma declaração conjunta.
Análise F5 ao vivo
O Itamaraty escolheu o caminho mais barato: fingir normalidade num coquetel e empurrar o problema para dezembro. Funciona para a agenda comercial, mas deixa sem resposta a pergunta que importa para o eleitor brasileiro: por que o governo dos Estados Unidos recebeu de portas abertas um senador que saiu do país contrariando uma ordem judicial, e o Planalto acha melhor nem tocar no assunto com Washington.
A estratégia de baixar o tom também tem prazo. Se Trump seguir sem reconhecer o resultado depois do dia 3, a reunião de Miami vira teste de força, e o governo Lula vai precisar decidir se negocia tarifa com quem diz que a eleição dele foi fraudada. Ficar calado adia a conta, mas não paga.
Fontes: Correio Braziliense, NC News, Metrópoles, Poder360, Diário do Centro do Mundo (com informações do g1). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






