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Opinião

A The Economist e o recado do mercado para o Lula 4

A revista britânica alerta para o risco de desastre fiscal no quarto mandato. A bolsa caiu quase 14% no dia seguinte à eleição. O governo ainda não disse quem cuida do caixa.

Por Editorial F5 ao vivo
Operadores diante do painel de cotações da Bolsa de Valores de São Paulo
Operadores diante do painel de cotações da bolsa de São Paulo, em foto de arquivo Foto: Rafael Matsunaga (CC BY 2.0)

A revista britânica The Economist publicou neste fim de semana uma análise dura sobre o Brasil depois da reeleição de Lula. O resumo, segundo os veículos brasileiros que repercutiram o texto, é simples: se o presidente tratar a vitória como licença para gastar mais, o país corre o risco de um desastre fiscal e de uma recessão profunda.

Não é a primeira vez que a revista cobra o governo. Em julho de 2024 ela já dizia que os investidores duvidavam do compromisso de Lula com as contas públicas. Em dezembro de 2025 chegou a defender que ele não disputasse a reeleição. A diferença agora é que o aviso vem com a conta do mercado já na mesa.

O que a revista aponta

  • Déficit nominal do governo acima de 9% do PIB.
  • Dívida pública que pode chegar a 97% do PIB ainda em 2026, contra 84% em 2022, pela estimativa do FMI citada no texto.
  • Juro real perto de 9% ao ano, com gasto com juros da dívida maior que o de quase todas as grandes economias.
  • Novos programas sociais com custo de cerca de 2% do PIB até o fim de 2027.

Como saída, a revista pede quatro coisas: um ministro da Fazenda em quem o mercado confie, um teto de gastos de verdade, o fim das isenções fiscais para setores com lobby forte e o fim dos reajustes acima da inflação para servidores e militares.

A conta da segunda-feira

O recado da revista chega depois de uma semana que o mercado não vai esquecer. Na segunda-feira, 26 de outubro, primeiro pregão depois do segundo turno, o Ibovespa caiu 13,88% e fechou em 176.608 pontos, a maior queda diária desde o início da pandemia. A negociação chegou a ser interrompida pelo circuit breaker. O dólar subiu 8,21% e fechou a R$ 5,40, a maior desvalorização do real desde 1999.

O governo ainda não disse quem vai comandar a Fazenda no quarto mandato. Os nomes mais citados são o do governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o do vice-presidente Geraldo Alckmin. O presidente do PT, Edinho Silva, disse que a escolha sai até o fim do ano.

Até este domingo, o Planalto não anunciou quem vai comandar a Fazenda no quarto mandato. O nome mais citado nos bastidores é o de Fonteles, mas não há confirmação oficial.

Análise F5 ao vivo

O mercado não vota, mas paga a conta e cobra juros de quem gasta mal. A queda de quase 14% da bolsa num único dia não foi birra de especulador. Foi o preço de quatro anos de despesa crescendo mais que a receita e de uma campanha cheia de promessa sem dizer de onde sai o dinheiro. Quem paga esse preço não é o banqueiro: é a família que vê o financiamento da casa ficar mais caro, o comerciante que não consegue crédito e o trabalhador que perde o emprego quando a economia trava.

O governo tem duas saídas. Pode tratar a The Economist e o mercado como inimigos políticos, como já fez antes, e dobrar a aposta no gasto. Ou pode fazer o que qualquer dona de casa sabe: parar de gastar mais do que entra. Escolher um ministro da Fazenda com credibilidade e apresentar um plano de corte de despesas nas próximas semanas custaria pouco ao presidente e acalmaria um país inteiro.

O Lula 4 começa sem lua de mel. Se a resposta for mais gasto e mais ataque a quem aponta o problema, a The Economist não vai precisar escrever outro alerta. Os números vão falar sozinhos.

Fontes: Brasil em Folhas: The Economist alerta para risco de desastre fiscal, Diário 360: The Economist alerta que Lula pode levar o Brasil a um desastre fiscal, Revista Oeste, CNBC: What Lula's Brazil election win means for markets, France 24: Lula win rattles Brazil markets, Canal Rural: Ibovespa fecha em queda de 13,88%, CNN Brasil: The Economist em dezembro de 2025, Band: Fonteles e Alckmin são cotados para a Fazenda, A Crítica: Lula escolherá ministro da Fazenda até o fim do ano, diz Edinho. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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