A The Economist e o recado do mercado para o Lula 4
A revista britânica alerta para o risco de desastre fiscal no quarto mandato. A bolsa caiu quase 14% no dia seguinte à eleição. O governo ainda não disse quem cuida do caixa.

A revista britânica The Economist publicou neste fim de semana uma análise dura sobre o Brasil depois da reeleição de Lula. O resumo, segundo os veículos brasileiros que repercutiram o texto, é simples: se o presidente tratar a vitória como licença para gastar mais, o país corre o risco de um desastre fiscal e de uma recessão profunda.
Não é a primeira vez que a revista cobra o governo. Em julho de 2024 ela já dizia que os investidores duvidavam do compromisso de Lula com as contas públicas. Em dezembro de 2025 chegou a defender que ele não disputasse a reeleição. A diferença agora é que o aviso vem com a conta do mercado já na mesa.
O que a revista aponta
- Déficit nominal do governo acima de 9% do PIB.
- Dívida pública que pode chegar a 97% do PIB ainda em 2026, contra 84% em 2022, pela estimativa do FMI citada no texto.
- Juro real perto de 9% ao ano, com gasto com juros da dívida maior que o de quase todas as grandes economias.
- Novos programas sociais com custo de cerca de 2% do PIB até o fim de 2027.
Como saída, a revista pede quatro coisas: um ministro da Fazenda em quem o mercado confie, um teto de gastos de verdade, o fim das isenções fiscais para setores com lobby forte e o fim dos reajustes acima da inflação para servidores e militares.
A conta da segunda-feira
O recado da revista chega depois de uma semana que o mercado não vai esquecer. Na segunda-feira, 26 de outubro, primeiro pregão depois do segundo turno, o Ibovespa caiu 13,88% e fechou em 176.608 pontos, a maior queda diária desde o início da pandemia. A negociação chegou a ser interrompida pelo circuit breaker. O dólar subiu 8,21% e fechou a R$ 5,40, a maior desvalorização do real desde 1999.
O governo ainda não disse quem vai comandar a Fazenda no quarto mandato. Os nomes mais citados são o do governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o do vice-presidente Geraldo Alckmin. O presidente do PT, Edinho Silva, disse que a escolha sai até o fim do ano.
Até este domingo, o Planalto não anunciou quem vai comandar a Fazenda no quarto mandato. O nome mais citado nos bastidores é o de Fonteles, mas não há confirmação oficial.
Análise F5 ao vivo
O mercado não vota, mas paga a conta e cobra juros de quem gasta mal. A queda de quase 14% da bolsa num único dia não foi birra de especulador. Foi o preço de quatro anos de despesa crescendo mais que a receita e de uma campanha cheia de promessa sem dizer de onde sai o dinheiro. Quem paga esse preço não é o banqueiro: é a família que vê o financiamento da casa ficar mais caro, o comerciante que não consegue crédito e o trabalhador que perde o emprego quando a economia trava.
O governo tem duas saídas. Pode tratar a The Economist e o mercado como inimigos políticos, como já fez antes, e dobrar a aposta no gasto. Ou pode fazer o que qualquer dona de casa sabe: parar de gastar mais do que entra. Escolher um ministro da Fazenda com credibilidade e apresentar um plano de corte de despesas nas próximas semanas custaria pouco ao presidente e acalmaria um país inteiro.
O Lula 4 começa sem lua de mel. Se a resposta for mais gasto e mais ataque a quem aponta o problema, a The Economist não vai precisar escrever outro alerta. Os números vão falar sozinhos.
Fontes: Brasil em Folhas: The Economist alerta para risco de desastre fiscal, Diário 360: The Economist alerta que Lula pode levar o Brasil a um desastre fiscal, Revista Oeste, CNBC: What Lula's Brazil election win means for markets, France 24: Lula win rattles Brazil markets, Canal Rural: Ibovespa fecha em queda de 13,88%, CNN Brasil: The Economist em dezembro de 2025, Band: Fonteles e Alckmin são cotados para a Fazenda, A Crítica: Lula escolherá ministro da Fazenda até o fim do ano, diz Edinho. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






