Perseguição a cristãos piora em 10 de 18 países e nenhum melhora, diz relatório da ACN
Estudo da Ajuda à Igreja que Sofre aponta 220 milhões de cristãos expostos à perseguição. China, Nigéria, Paquistão, Irã e Nicarágua estão entre os casos mais graves.

A situação dos cristãos perseguidos ficou pior em 10 dos 18 países acompanhados pela Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), fundação ligada à Santa Sé. Em nenhum deles houve melhora. O dado está no relatório bienal Perseguidos e Esquecidos?, apresentado em 27 de outubro e que cobre o período de agosto de 2024 a junho de 2026.
Segundo a ACN, cerca de 413 milhões de cristãos vivem em países com violações graves da liberdade religiosa. Desses, perto de 220 milhões estão diretamente expostos à perseguição.
Onde ficou pior
O relatório cita China, Nigéria e Paquistão entre os países em que o quadro se agravou. A lista analisada inclui ainda Birmânia, Burkina Faso, Coreia do Norte, Egito, Eritreia, Índia, Irã, Iraque, Mali, Moçambique, Nicarágua, Síria, Sudão, Turquia e Vietnã.
- China: o governo apertou o controle para alinhar a doutrina religiosa às ideias do Partido Comunista, com detenções, prisão de clérigos, igrejas fechadas e conteúdo religioso vigiado na internet.
- Irã: as prisões de cristãos quase dobraram em 12 meses, com vigilância maior sobre quem deixou o islã.
- Índia: a ACN contou mais de 700 casos de violência contra cristãos em 2025 e liga a alta às leis anticonversão.
- Nicarágua: o regime de Daniel Ortega prendeu e expulsou padres, travou ordenações, confiscou instituições da Igreja e barrou a entrada de pessoas com Bíblias.
- Moçambique: em Cabo Delgado, a insurgência islâmica que começou em 2017 já deixou mais de 2 mil cristãos mortos, segundo a fundação.
África concentra a violência
A África Subsaariana é o ponto mais grave do estudo. Nigéria, Burkina Faso, Mali e Níger aparecem com os piores ataques extremistas desde o auge do Estado Islâmico no Oriente Médio. No Sahel, grupos armados obrigam aldeias a seguir regras islâmicas e expulsam ou executam quem se recusa. Onde o culto é tolerado, ele fica restrito ao interior das igrejas.
Um dos relatos colhidos é o de Solomon Ako, de 33 anos, sequestrado num ataque à sua aldeia no norte da Nigéria. Os reféns eram pressionados a negar a fé e apanhavam quando se recusavam. A ACN pondera que etnia, pobreza e disputa por terra também alimentam os conflitos, mas diz que isso não apaga o peso religioso de muitos ataques.
Há cristãos que sofrem perseguição em mais países do que é o caso de qualquer outro grupo de fé.
John Pontifex, chefe de imprensa da ACN no Reino Unido
Quarta-feira Vermelha em 18 de novembro
A fundação prepara a campanha Quarta-feira Vermelha (#RedWednesday), que chega à 10ª edição em 18 de novembro. Catedrais, igrejas e monumentos são iluminados de vermelho, e comunidades fazem momentos de oração pelos cristãos perseguidos. A ACN também pede aos países e à ONU que cumpram o artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que garante a liberdade de religião.
Análise F5 ao vivo
O número que mais pesa no relatório não é o de países piores. É o zero ao lado de "melhorou". Em dois anos de acompanhamento, nenhum dos 18 lugares registrou melhora, e a lista junta ditaduras comunistas, teocracias e democracias com leis anticonversão.
Para o cristão brasileiro, que cultua sem medo, a Quarta-feira Vermelha de 18 de novembro é uma chance concreta de orar por nome e por país: Nigéria, Nicarágua, Irã, Índia, China. A perseguição que ninguém conta tende a crescer em silêncio, e o primeiro passo para quebrar esse silêncio é saber onde ela acontece.
Fontes: Gazeta do Povo (EWTN News / CNA), InfoVaticana. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






