Papa Leão XIV chega ao Uruguai, fala da própria doença e atrai caravanas de gaúchos
No primeiro discurso em Montevidéu, o papa lembrou a cirurgia recente e pediu saúde ao alcance de todos. Mais de 50 ônibus do Rio Grande do Sul são esperados na fronteira até sábado.

O papa Leão XIV desembarcou em Montevidéu às 16h19 desta sexta-feira (6), no horário local, depois de mais de 13 horas de voo desde Roma. O Uruguai é a primeira parada da viagem de 12 dias pela América do Sul, que segue para Argentina e Peru até 17 de novembro.
É a primeira vez em 38 anos que um papa pisa no país. O último foi João Paulo II, que esteve lá em 1987 e 1988. O avião pousou no Aeroporto Internacional de Carrasco, e de lá o pontífice seguiu de papamóvel até a Praça da Independência, no centro da capital, onde foi recebido pelo presidente Yamandú Orsi.
A doença no primeiro discurso
Diante de autoridades, sociedade civil e corpo diplomático, Leão XIV falou da própria saúde pela primeira vez em território sul-americano. Ele passou por uma cirurgia no pulmão há poucas semanas e usou a experiência para cobrar acesso a tratamento para quem não tem dinheiro.
"Recentemente, experimentei pessoalmente as limitações impostas pela doença"
Papa Leão XIV, em Montevidéu
O papa disse que pensou nos homens e mulheres que não conseguem diagnóstico nem tratamento e chamou de responsabilidade de toda a sociedade garantir cuidado de saúde independente da renda. No mesmo discurso, defendeu a proteção da vida desde o ventre da mãe, citou o suicídio como uma dor que exige família e comunidade por perto e lembrou os 40 anos seguidos de democracia no Uruguai.
Gaúchos cruzam a fronteira
Como o Brasil ficou fora do roteiro, católicos do Rio Grande do Sul decidiram ir até o papa. Segundo a Oficina de Imigração de Rivera, citada pelo Vatican News, mais de 50 ônibus vindos do estado são esperados entre esta sexta e a madrugada de sábado.
De Pelotas saíram cerca de 300 pessoas, entre elas uns 200 integrantes do Movimento de Emaús, em 12 horas de estrada durante a noite. A Diocese de Bagé prevê perto de dez ônibus. De Campo Bom, na região metropolitana de Porto Alegre, um grupo de 46 paroquianos encarou cerca de 900 km para a missa de sábado em Paysandú.
"Eu não posso perder a chance de ver o Papa"
frase que o padre Rafael Fernando Staudt, de Campo Bom, diz ouvir dos fiéis da fronteira
A agenda até domingo
- Sábado (7), às 10h: missa em Paysandú, no Parque París Londres
- Sábado (7), às 19h: vigília no Estádio Centenário, em Montevidéu
- Domingo (8), às 10h: missa na Catedral Basílica de Florida, antes do voo para a Argentina
Análise F5 ao vivo
O Uruguai é o país mais secularizado da América Latina, e mesmo assim recebeu o papa com multidão na rua. Isso diz muito sobre a fome de esperança num continente cansado de crise. Leão XIV, que viveu mais de 20 anos como missionário no Peru, fala a língua e conhece a dor dessa gente.
Chama atenção o papa abrir a viagem falando da própria fraqueza. Um líder que admite ter sentido o peso da doença e usa isso para lembrar de quem não tem hospital por perto fala com mais autoridade do que qualquer discurso pronto.
E os ônibus saindo de Pelotas, Bagé e Campo Bom mostram que a fé brasileira não espera convite. Se o papa não vem, o povo vai. A pergunta que fica para a Igreja no Brasil é quando o maior país católico do mundo vai entrar no roteiro de Leão XIV.
Fontes: Vatican News: Papa Leão XIV chega ao Uruguai, Vatican News: discurso às autoridades em Montevidéu, Vatican News: brasileiros da fronteira, Vatican News: peregrinos de Pelotas, Vatican News: fiéis de Campo Bom, Canção Nova, Metrópoles. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






