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Ao vivo Celular de Vorcaro registra 316 interações com Moraes nos dois meses antes da prisão
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Celular de Vorcaro registra 316 interações com Moraes nos dois meses antes da prisão

Levantamento do UOL recuperou mensagens temporárias apagadas e aponta um possível encontro em Brasília três dias antes da prisão do dono do Banco Master. Moraes já chamou o material de falso.

Por Redação F5 ao vivo
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, em posse no TSE em 2022
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, em posse no TSE em 2022 Foto: Isac Nóbrega (CC BY 2.0)

O celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, guarda 316 registros de contato com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, entre 17 de setembro e 17 de novembro de 2025, os dois meses que terminaram com a prisão do banqueiro. O número vem de um levantamento do UOL divulgado nesta sexta-feira (6) e foi confirmado à Gazeta do Povo por fontes que acompanham a investigação. Estadão e Metrópoles também repercutiram os dados.

O aparelho foi apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025. Até agora, o que se conhecia eram 52 notas escritas por Vorcaro no bloco de notas do celular, que a PF ligou a conversas com o ministro.

O que a conta inclui

Os 316 registros não são 316 mensagens de texto. A soma junta mensagens, chamadas atendidas e perdidas, fotos e avisos do próprio sistema. Pela divisão do levantamento, 187 são mensagens enviadas por Vorcaro e 129 incluem textos atribuídos a Moraes e notificações.

Segundo o UOL, os dois usavam as mensagens temporárias do WhatsApp, que somem depois de 24 horas. Parte do conteúdo foi recuperada em bancos de dados internos que o aplicativo mantém no aparelho.

Entre os trechos recuperados está a legenda de uma foto de 24 de outubro de 2025, atribuída ao ministro: "Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs". A imagem em si não foi recuperada. Em 12 de novembro, Vorcaro elogia o ministro como pai e recebe de volta um "Pode deixar".

O encontro de 14 de novembro

O registro que mais chama atenção é de 14 de novembro de 2025, três dias antes da prisão. Uma mensagem atribuída a Moraes pede que Vorcaro avise quando o avião pousar. O banqueiro responde que está voando. Cerca de uma hora depois, já com a chegada confirmada, aparece a resposta atribuída ao ministro: "A caminho então". Pela apuração do UOL, Vorcaro voou de São Paulo para Brasília no jato particular naquela tarde.

Em conversas já levantadas pela PF, Vorcaro se mostrava preocupado com medidas contra o banco e sugeria que o ministro procurasse o então procurador-geral Paulo Gonet ou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para adiar providências para a semana seguinte.

O que dizem Moraes e a defesa

Procurados pela Gazeta do Povo, o gabinete de Moraes, o STF e a defesa de Vorcaro não responderam até o fechamento daquela reportagem. Em setembro, numa manifestação de 44 páginas entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, ele chamou os diálogos de "falsos, criminosos e mentirosos" e afirmou que 47 das 52 notas não aparecem nas conversas de WhatsApp analisadas. A defesa de Vorcaro também questiona a integridade do material e pede acesso aos dados originais da perícia, alegando falha na cadeia de custódia.

O caso corre em paralelo ao contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, com pagamentos de R$ 3 milhões por mês. O escritório diz que não havia impedimento porque Moraes nunca julgou processos do banco.

Análise F5 ao vivo

Os números não provam crime, e o próprio levantamento não afirma isso. Mas mostram uma proximidade que o ministro vinha negando. Quando um juiz da mais alta corte troca centenas de contatos apagáveis com um banqueiro investigado e, ao que tudo indica, vai encontrá-lo três dias antes da prisão, a pergunta deixa de ser fofoca e vira questão de Estado.

A Constituição manda o próprio STF julgar seus ministros em crime comum (art. 102, I, b) e deixa a acusação com o Ministério Público (art. 129). O Código de Processo Penal diz que o juiz é suspeito quando é amigo íntimo de uma das partes (art. 254, I). Por isso o caminho não é nota de gabinete. É perícia independente no celular, com acesso das partes, e uma resposta clara da PGR sobre o que fazer com o material.

Moraes tem direito de contestar a prova, e a defesa de Vorcaro também. O que o país não pode é ficar sem resposta enquanto o mesmo tribunal que julga todos decide, entre os seus, se há algo a investigar.

Fontes: Gazeta do Povo, UOL (levantamento de Cézar Feitoza), Estadão. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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