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Opinião

Passada a eleição, Lula descobre as contas públicas

Depois de uma campanha de promessas, Lula grava pronunciamento sobre a "sustentabilidade" das contas sem nenhuma medida concreta, enquanto o PT põe a culpa dos juros no Banco Central.

Por Editorial F5 ao vivo
Lula durante pronunciamento à nação em 2025, no Palácio do Planalto
Lula durante pronunciamento à nação em 2025, no Palácio do Planalto Foto: Lula Oficial (CC BY-SA 4.0)

O presidente Lula gravou na manhã desta quinta-feira (5), no Palácio do Planalto, um pronunciamento à nação que deve ir ao ar em cadeia de rádio e TV no fim de semana, provavelmente no domingo (8). Segundo assessores ouvidos pela coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, o discurso fala em pacificação, agradece os votos do segundo turno e assume um compromisso com a "sustentabilidade" das contas públicas.

O que o texto não traz, de acordo com a mesma apuração, é qualquer medida de ajuste. Nenhum corte, nenhuma meta nova, nenhum número. Só a palavra.

A ordem dos fatores

Durante a campanha, o assunto era outro. A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, fez a conta de três promessas do presidente: o Bolsa Família maior, o fim das bets e o pacote para o MEI. Juntas, podem abrir um buraco de pelo menos R$ 40 bilhões no Orçamento de 2027 e levar o déficit primário para perto de 1% do PIB. Ficaram de fora da estimativa outras promessas, como o Pé-de-Meia para universitários e o transporte gratuito no fim de semana.

A eleição passou, a conta ficou. E o primeiro aviso veio de quem não disputa voto: o Copom, do Banco Central, interrompeu o ciclo de cortes e manteve a Selic em 13,75% ao ano. A justificativa foi a incerteza fiscal e a pressão sobre a inflação no curto prazo.

A culpa é do juiz

A reação do PT foi atacar o árbitro. Segundo o blog do Valdo Cruz, no g1, petistas e uma ala do governo acusam o Copom de ter se rendido ao mercado. O vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias, disse que o BC sucumbiu às pressões. Há quem defenda que Lula use as duas vagas abertas na diretoria do banco, e as outras duas que abrem em fevereiro, para pôr ali gente mais disposta a baixar os juros.

Interlocutores do presidente dizem ao blog que ele não fará isso, para não comprar briga com investidores. Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, fecha medidas para cumprir a meta de superávit de 0,5% do PIB no ano que vem. A proposta só deve chegar a Lula depois da viagem dele à COP 30, entre 9 e 12 de novembro. Assessores garantem que não haverá corte em programa social nem promessa abandonada.

Análise F5 ao vivo

Responsabilidade fiscal não é tema de pronunciamento pós-eleição. É obrigação de lei. A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/2000) exige que toda despesa obrigatória nova venha com a fonte de receita ou o corte que a compensa, e o art. 165 da Constituição manda que o Orçamento seja planejado com metas claras. Prometer R$ 40 bilhões em palanque e só depois descobrir a palavra "sustentabilidade" é inverter a ordem que a própria lei estabelece.

Mais grave é a tentativa de culpar o Banco Central. A autonomia do BC está na Lei Complementar 179/2021, aprovada pelo Congresso justamente para que a política de juros não vire instrumento de governo. Quando o Copom diz que o problema é o fiscal, ele está apontando para o Planalto, não para a Faria Lima. Trocar diretores para obter juros mais baixos na marra seria pedir ao termômetro que esconda a febre.

O brasileiro que paga 13,75% no financiamento e no cartão não precisa de discurso de pacificação. Precisa saber, com números, de onde vai sair o dinheiro das promessas. Até domingo, a única coisa que o governo apresentou foi uma palavra bonita e um culpado.

Fontes: Metrópoles (coluna Igor Gadelha), g1 (blog do Valdo Cruz), SBT News (IFI), Canal Rural (IFI). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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