Planalto aposta em Congresso democrata para frear Trump, mas tarifaço segue parado
Governo Lula comemora a derrota republicana nas midterms e espera um freio a Trump na América Latina. A tarifa extra de 25% continua sem proposta de acordo dos EUA.

O Palácio do Planalto passou a contar com o novo Congresso dos Estados Unidos como um freio a Donald Trump. Nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (3), o Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara e no Senado americanos, uma derrota que analistas chamaram de histórica para o presidente republicano.
Segundo o Poder360, auxiliares de Lula avaliam que a nova maioria pode conter ações de Trump na região e ajudar o Brasil em temas como a regulação das big techs e o meio ambiente. No governo, o resultado também é lido como um risco de abertura de processo de impeachment contra o republicano.
O tarifaço não muda
A comemoração tem limite. O próprio governo não espera efeito imediato sobre a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada em julho pelo USTR, o escritório de comércio dos EUA. O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, disse ao Poder360 que as midterms não mudam nada nas negociações.
Brasil e EUA retomaram a conversa formal em 31 de agosto. Desde a última reunião, no fim de setembro, nada andou: o USTR ficou de mandar uma proposta e não mandou. O Brasil levou o caso à Organização Mundial do Comércio, também sem resultado até agora.
Especialistas ouvidos pelo g1 vão na mesma linha. Para Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF, o novo Congresso não deve reduzir nem aumentar tarifas contra o Brasil. O que pode mudar é a fiscalização: deputados e senadores democratas podem usar o tema para questionar o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Guerra, Pete Hegseth.
O efeito sobre a direita brasileira
O Planalto também aposta que a rede internacional do bolsonarismo sai mais fraca. Republicanos próximos de Eduardo Bolsonaro, como a deputada Maria Elvira Salazar, devem ter mais dificuldade para avançar propostas contra integrantes do Judiciário brasileiro.
A orientação interna, segundo o Poder360, é não levar a polêmica em torno de Flávio Bolsonaro ao campo diplomático e deixar o tema com a Justiça. Os novos deputados e senadores americanos tomam posse em 3 de janeiro.
Agenda de Lula
Lula viaja à Turquia nos dias 11 e 12 de novembro e depois às Filipinas, com volta prevista para o dia 16. Na sequência vêm a cúpula do Mercosul, em Montevidéu, e o G20, nos Estados Unidos, onde pode haver um encontro com Trump.
Análise F5 ao vivo
O governo trata a eleição americana como vitória própria, mas a conta que importa para o exportador brasileiro não mudou. A tarifa de 25% segue de pé, a negociação está parada desde setembro e o próprio ministro da área admite que o resultado não mexe em nada.
Torcer para o Congresso de outro país resolver o problema é admitir que a diplomacia daqui não resolveu. Quem vende aço, etanol e serviços digitais para os EUA precisa de acordo assinado, não de leitura otimista do Planalto sobre a política de Washington.
Fontes: Poder360, g1. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






