Papa Leão XIV pede a cristãos perseguidos do Oriente Médio uma paz "desarmada"
O papa recebeu a Œuvre d'Orient, entidade que ajuda cristãos do Oriente desde 1856, na véspera de uma conferência sobre paz que começa nesta quinta em Roma. Relatório recente fala em 220 milhões de cristãos expostos à perseguição.

O Papa Leão XIV recebeu nesta quarta-feira (4), no Vaticano, uma delegação da L'Œuvre d'Orient e do Institut Chrétiens d'Orient (ICO). As duas entidades francesas apoiam cristãos do Oriente Médio e do Leste Europeu, regiões onde a fé ainda custa caro. A Œuvre d'Orient faz esse trabalho desde 1856.
O encontro foi privado e aconteceu na véspera de uma conferência sobre a paz no Oriente Médio, organizada pelo ICO em Roma, que começa nesta quinta-feira (5) e vai até sexta (6).
O que o papa disse
No discurso, feito em francês, Leão XIV defendeu que a reconciliação passa pelo diálogo entre fé, razão, cultura e história. Para ele, um dos grandes desafios do tempo atual é recuperar o sentido real das palavras usadas quando se fala de paz e de justiça.
O papa pediu aos cristãos dessas regiões que sigam em frente por uma paz "desarmada e desarmante", humilde e perseverante, e que sejam semeadores de esperança. Para isso citou o Evangelho de João, capítulo 4, versículo 37: "Um é o que semeia, outro o que colhe".
servos de uma paz que é desarmada e desarmante, humilde e perseverante
Papa Leão XIV, na audiência de 4 de novembro
Os números da perseguição
A fala vem poucos dias depois de a Ajuda à Igreja que Sofre (ACN, na sigla em inglês) divulgar a 10ª edição do relatório "Perseguidos e Esquecidos?", que cobre de 2024 a 2026. Segundo a entidade católica, cerca de 413 milhões de cristãos vivem em países onde a liberdade religiosa é gravemente violada, e mais de 220 milhões estão expostos diretamente às formas mais duras de perseguição: violência, sequestro e expulsão de casa.
O relatório analisou 18 países. Em 10 deles a situação piorou entre 2024 e 2026, e em nenhum houve melhora.
- Síria: a população cristã caiu mais de 80% desde 2011, depois de anos de guerra e fuga.
- Nigéria: a ACN estima que pelo menos 1 milhão de cristãos foram expulsos de casa.
- Burkina Faso: grupos islamistas armados controlam ao menos 40% do território.
- Índia: mais de 700 ataques contra cristãos registrados em 2025, com leis anticonversão e nacionalismo religioso no centro do problema.
- Paquistão e Nicarágua: sequestro e conversão forçada de meninas cristãs no primeiro; restrições à Igreja Católica no segundo, onde há relatos de pessoas barradas na fronteira por levarem Bíblia.
Por que o Oriente Médio preocupa
A ACN alerta que a fuga em massa ameaça o futuro de algumas das comunidades cristãs mais antigas do mundo, justamente no Oriente Médio, onde o cristianismo nasceu. É esse o público que a Œuvre d'Orient atende e que estará no centro da conferência de Roma nesta semana.
Análise F5 ao vivo
O papa escolheu falar de paz, não de vingança, a quem mais teria motivo para pedir revide. A Síria perdeu mais de quatro em cada cinco cristãos em pouco mais de uma década. Uma presença que atravessou dois mil anos está sumindo diante dos olhos do mundo, e o assunto quase não aparece no noticiário.
Paz "desarmada" não quer dizer silêncio. As mesmas entidades que estão em Roma cobram dos governos proteção real, investigação dos massacres e o direito de voltar para casa. A igreja brasileira, que vive em liberdade, pode fazer a parte dela: orar, informar-se em fontes sérias e apoiar quem chega até essas comunidades. Calar sobre a perseguição também é uma escolha.
Fontes: EWTN News, Gazeta do Povo, IBTimes UK (relatório da ACN). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






