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Justiça de Abadiânia condena João de Deus e a Casa Dom Inácio a pagar R$ 20 milhões

A sentença numa ação do MP de Goiás diz que o centro espírita deu a estrutura para os abusos. O dinheiro vai para fundos de apoio a mulheres vítimas de violência sexual. A defesa vai recorrer.

Por Redação F5 ao vivo
Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, onde João de Deus fazia os atendimentos
Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, onde João de Deus fazia os atendimentos Foto: Túllio F (CC BY-SA 4.0)

O médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, e o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola foram condenados a pagar juntos R$ 20 milhões por danos morais coletivos pelos abusos sexuais cometidos dentro da casa, em Abadiânia, no Entorno do DF. A sentença saiu na terça-feira (6), na comarca de Abadiânia, e foi assinada pelo juiz André Luiz Figueiredo Ligório.

A decisão atende a uma ação civil pública do Ministério Público de Goiás, aberta em 2018, logo depois que os primeiros relatos de mulheres vieram a público. Cabe recurso.

Quem paga e para onde vai o dinheiro

A condenação é solidária. Na prática, João de Deus e o centro respondem pelo valor inteiro, sem divisão prévia entre os dois. O Ministério Público pode cobrar tudo de um, tudo do outro ou dividir como achar melhor. Quem pagar mais pode depois cobrar a parte do outro em outra ação.

O valor será corrigido e terá juros contados desde dezembro de 2018. O dinheiro vai para fundos públicos de proteção e apoio a mulheres vítimas de violência sexual.

Para garantir o pagamento, o juiz manteve bloqueada a Fazenda Agropastoril Dom Inácio, avaliada em cerca de R$ 41 milhões.

Vítimas podem pedir indenização própria

A sentença também abre caminho para indenizações individuais. Cada pessoa que comprovar ter sofrido abuso durante os atendimentos espirituais pode procurar a Justiça e pedir reparação por danos morais e materiais. Esses pedidos passam por uma fase própria, caso a caso.

Por que o centro também foi condenado

A defesa sustentou que os abusos seriam atos isolados, sem ligação com a instituição. O juiz rejeitou a tese. Para ele, o médium usou o prédio, os funcionários, a fila organizada de fiéis e o prestígio da casa para cometer os crimes sob o pretexto de atendimento espiritual, e a entidade e o médium se confundiam na imagem pública.

Em nota, a defesa de João de Deus disse que a decisão não reflete a realidade dos fatos, que ela ignora absolvições obtidas em oito anos de processo e que a condenação é desproporcional. Os advogados vão recorrer às instâncias superiores.

O caso

As denúncias vieram a público em dezembro de 2018. João de Deus virou réu em 18 denúncias, 16 delas por crimes sexuais. Segundo o Tribunal de Justiça de Goiás, há 67 vítimas nos processos. As condenações por estupro, estupro de vulnerável, violação sexual mediante fraude e posse ilegal de armas somam mais de 200 anos de prisão. Preso em 2018, ele hoje cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Análise F5 ao vivo

A sentença acerta ao olhar para a estrutura. Abusos repetidos por anos, com fila marcada, sala reservada e voluntários organizando o fluxo, não acontecem só pela vontade de um homem. Quem empresta o nome e o espaço também responde.

O ponto que importa agora é a execução. Oito anos depois das primeiras denúncias, as vítimas ainda esperam reparação, e a fazenda bloqueada é a garantia real de que o dinheiro existe. O recurso é direito da defesa, mas a Justiça goiana precisa julgar rápido para que a indenização não vire mais uma promessa.

Para quem foi vítima, o recado prático é este: a sentença reconhece o direito de pedir indenização individual. Procurar a Defensoria Pública ou um advogado é o primeiro passo.

Fontes: g1 Goiás, g1 Goiás (entrevista com o MP-GO), Revista Oeste. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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