Justiça proíbe Firminópolis de pagar R$ 200 mil a Mariana Fagundes com 40 crianças sem creche
A pedido do MP de Goiás, a juíza suspendeu os shows do aniversário de 78 anos da cidade e fixou multa diária de R$ 200 mil. A decisão aponta déficit, contratos repetidos e falta de transparência.

A Prefeitura de Firminópolis, no oeste de Goiás, está proibida de usar dinheiro público para pagar os shows do aniversário de 78 anos da cidade, marcado de hoje, quarta-feira (7), até domingo (11). A principal atração era a cantora sertaneja Mariana Fagundes, conhecida pelo sucesso "Peão todo tatuado", contratada por R$ 200 mil para se apresentar nesta quinta-feira (8).
A ordem é da juíza Keylane Karla Baêta, da Vara das Fazendas Públicas de Firminópolis, e atende a um pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO). Se a prefeitura descumprir, a multa é de R$ 200 mil por dia, limitada de início a 30 dias, cobrada do gestor responsável e dos representantes das empresas contratadas.
Creche, esgoto e lixão na fila
O MP lembrou que a cidade, a cerca de 100 km de Goiânia, ainda tem pendências básicas: falta rede de esgoto, a área do antigo lixão não foi recuperada, o serviço para idosos não saiu do papel e a Casa Lar precisa de adequações. Segundo a própria Secretaria Municipal de Educação, 40 crianças esperam vaga em creche.
"As demandas permanecem desatendidas"
Trecho da decisão, citado pelo Metrópoles
A decisão registra ainda que o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO) apontou déficit nas contas do município e que a prefeitura não alimenta o sistema de prestação de contas do tribunal, o SICOM, desde julho.
Três contratos para o mesmo show
A juíza encontrou três contratos para a mesma apresentação de Mariana Fagundes, todos de R$ 200 mil. Um, o de número 40/2026, foi assinado em 2 de setembro. Os outros dois foram lançados no TCM-GO em 28 de setembro. O pagamento estava previsto de forma antecipada e integral para 6 de outubro, dois dias antes do show.
Para a magistrada, deixar o dinheiro sair e o show acontecer tornaria definitiva uma despesa que a prefeitura ainda não provou ter orçamento para cobrir. A decisão também cita o cantor Rique Galiani, divulgado para a mesma festa sem contrato no Portal da Transparência, e R$ 142.282 já empenhados em material e estrutura do evento.
O que muda para a cidade
Os contratos com a cantora estão suspensos, assim como qualquer contrato com Rique Galiani e outras atrações que não foram publicados. Até o fim de 2026, a prefeitura não pode contratar nenhum artista sem antes mostrar a verba específica no orçamento. A decisão adverte que repassar dinheiro para esses contratos pode configurar crime de responsabilidade.
Não é a primeira vez. A mesma juíza já tinha suspendido os gastos com o 4º Rodeio Show 2026, previsto para o fim de julho, em que a prefeitura pretendia gastar mais de R$ 2,4 milhões. Segundo a decisão, há indícios de que a festa de aniversário foi remarcada para encaixar atrações que já tinham sido barradas. A prefeitura não havia se manifestado até a publicação das reportagens consultadas.
Análise F5 ao vivo
Prefeitura pequena não precisa escolher entre festa e creche, mas precisa mostrar de onde sai o dinheiro. Quando o próprio tribunal de contas aponta déficit e a cidade passa três meses sem prestar contas, a ordem das prioridades fica difícil de defender.
O caso de Firminópolis serve de recado para outras cidades do interior goiano que bancam shows caros em ano de aperto. Contrato repetido, pagamento adiantado e artista anunciado sem papel publicado são justamente o que o morador tem direito de conferir no Portal da Transparência. A cobrança do MP e a decisão da juíza devolvem essa pergunta a quem administra o caixa.
Fontes: GYN Notícias, Metrópoles, Jornal Opção (rodeio suspenso). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.





