Polícia prende fisioterapeuta suspeito de fazer cirurgias em clínica clandestina dentro de casa em Goiânia
Espaço no Jardim Vila Boa não tinha CNPJ, alvará nem responsável técnico, diz a Polícia Civil. Caso começou com uma paciente que ficou com lesões graves no rosto depois de um lifting facial.

A Polícia Civil de Goiás prendeu em flagrante um fisioterapeuta suspeito de fazer cirurgias e procedimentos estéticos sem autorização legal numa clínica montada dentro da própria casa, no Jardim Vila Boa, em Goiânia. A prisão foi na quarta-feira (7), e o g1 identificou o investigado como Michel Silva Rodrigues. A defesa dele não tinha sido localizada até a publicação das reportagens.
A operação foi da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), que cumpriu dois mandados de busca e apreensão. A investigação apura exercício ilegal da medicina, lesão corporal grave e crimes contra as relações de consumo.
Como tudo começou
Segundo a delegada Débora Melo, o caso começou em julho, quando uma mulher procurou a polícia dizendo ter ficado com sequelas graves no rosto depois de um lifting facial feito no local. O exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal confirmou a gravidade das lesões, e o laudo abriu o inquérito.
A partir daí, os policiais descobriram que a clínica era ativa nas redes sociais, mas não tinha nem inscrição no CNPJ. Sem existir para a Receita Federal, também não tinha as licenças sanitárias exigidas para mexer com a saúde de alguém.
O que a polícia achou na casa
O atendimento era feito numa antessala da residência. De acordo com a Polícia Civil, havia algodões sujos de sangue no chão, seringas usadas jogadas no lixo comum, remédios vencidos, insumos guardados na geladeira da casa junto com comida e bebida, além de material cirúrgico e substâncias sem registro na Anvisa.
uma situação de risco sanitário muito crítica
Débora Melo, delegada da Decon, à TV Anhanguera
Os policiais também apreenderam receituários em branco e o carimbo de uma médica. A delegada disse acreditar que a médica nem sabia que o carimbo estava ali, e afirmou que foram emitidos atestados com os dados dela em favor do próprio suspeito. Esse ponto ainda vai ser apurado e, segundo a polícia, já configura crime contra a fé pública.
A Vigilância Sanitária acompanhou a ação e interditou o espaço por falta de alvará sanitário, falta de responsável técnico e higiene inadequada.
Antes de marcar um procedimento
O caso se soma a outros que a polícia goiana investigou neste ano envolvendo clínicas estéticas e pacientes com lesões graves. Para quem pensa em fazer um procedimento, dá para checar algumas coisas antes de pagar:
- se o profissional tem registro ativo no conselho da profissão e se o procedimento cabe na área dele
- se a clínica tem CNPJ, que pode ser consultado no site da Receita Federal
- se o local tem alvará sanitário e um responsável técnico, o que pode ser perguntado na recepção e confirmado na Vigilância Sanitária do município
- se o atendimento é num endereço de clínica, e não numa casa adaptada
Análise F5 ao vivo
Perfil bonito no Instagram não é registro profissional. O que esse caso mostra é que a clínica tinha vitrine nas redes e nenhum papel em dia: sem CNPJ, sem alvará, sem responsável técnico. Quem foi atendido ali não tinha como saber só olhando as fotos.
A fiscalização chegou depois de uma paciente se machucar. Em Goiânia, onde o mercado de estética cresce rápido, vale cobrar da Prefeitura e da Vigilância Sanitária uma busca ativa por esses lugares, e não só a reação à denúncia. Até lá, os dois minutos de consulta no site do conselho e da Receita são a melhor proteção que o paciente tem.
Fontes: g1 Goiás, g1 Goiás (prisão), Metrópoles, Portal 6. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.





