Santiago Peña perde a Presidência do Paraguai e é preso horas depois por causa do Ueno Bank
Senado aprovou o impeachment com 44 votos e o Ministério Público mandou prender o ex-presidente em casa. Pedro Alliana assumiu prometendo cortar gastos e devolver o dinheiro dos poupadores.

O Paraguai trocou de presidente em menos de uma semana por causa da quebra de um banco. O Senado aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment de Santiago Peña, do Partido Colorado, e poucas horas depois o Ministério Público mandou prendê-lo. A Polícia Nacional foi até a casa dele, em Assunção, onde ele fica detido até ser levado aos promotores de crimes econômicos e anticorrupção.
Foram 44 votos a favor, de todos os senadores presentes. O único que não votou foi Enrique Riera, que tinha deixado o Ministério do Interior na véspera. É a segunda destituição de um presidente na história do país. Peña nega qualquer irregularidade.
Como um banco derrubou o presidente
Tudo começou na segunda-feira (2), quando o Banco Central do Paraguai liquidou o Ueno Bank, o maior banco digital do país, por falta de solvência. Contas foram bloqueadas e o pânico tomou conta. Segundo o Metrópoles, o banco tinha 2,9 milhões de clientes pessoa física, num país de pouco mais de 7 milhões de habitantes.
Peña foi acionista do Grupo Vázquez, dono do Ueno, até março de 2025. A oposição acusa conflito de interesses, empréstimos a empresas do grupo acima do limite permitido e a concentração de dinheiro da previdência pública no banco. A mesma ordem de prisão alcançou Carlos Carvallo Spalding, ex-presidente do Banco Central, que presidia o Ueno até agosto de 2023, quando Peña o indicou para o BC.
Peña ainda tentou renunciar antes do julgamento. A sessão para receber a carta não teve quórum, e os parlamentares seguiram com o processo para que ele perdesse o foro. Perder o cargo não é condenação criminal: a investigação continua.
O estrago nos serviços públicos
O dinheiro preso no Ueno não era só de correntistas. O Instituto de Previsão Social, a previdência paraguaia, tem cerca de US$ 355 milhões lá dentro, perto de 9% do fundo. A conselheira Mirtha Arias garantiu que aposentados e pensionistas recebem integralmente no dia 17 de novembro. A estatal de energia Ande também tinha depósitos no banco.
Os mais atingidos até agora são os bombeiros, que no Paraguai são voluntários. Cerca de 2 bilhões de guaranis da última arrecadação ficaram congelados, e quartéis já rodam com menos viaturas. Em Itá, só um veículo estava em uso na sexta.
O que promete o novo presidente
O vice Pedro Alliana, também colorado, tomou posse no Congresso enquanto Peña era preso. Prometeu mandar nos próximos dias um projeto para cortar gastos supérfluos, ressarcir todos os poupadores com prioridade para os mais pobres e cobrou prestação de contas diária dos ministros. Também restringiu viagens oficiais ao exterior.
Não quero nenhum morno à frente dessa missão; quero resultados
Pedro Alliana, presidente do Paraguai
O Banco Central começou a pagar na quinta (5), em etapas. Primeiro entram quem tinha até 10 milhões de guaranis (cerca de R$ 9 mil), sem dívida com o Ueno e com conta em outro banco. O fundo garantidor cobre até 75 salários mínimos paraguaios por pessoa, perto de R$ 200 mil.
E o Brasil com isso
Muito. Segundo dados do Senado citados pelo Poder360, vivem no Paraguai cerca de 270 mil brasileiros, muitos deles estudantes de medicina na fronteira, e há 232 empresas brasileiras instaladas lá pela Lei de Maquila. Não existe número oficial de brasileiros com conta no Ueno, mas a conta pela proporção da população passa de 100 mil pessoas. O presidente Lula cumprimentou Alliana pela posse.
Análise F5 ao vivo
O caso paraguaio mostra o que acontece quando o dono do governo e o dono do banco se misturam. Um presidente que foi sócio do grupo controlador, um presidente do Banco Central que saiu direto da cadeira do banco que deveria fiscalizar e dinheiro da previdência guardado no mesmo lugar. Quando a conta estourou, quem pagou primeiro foi o aposentado e o bombeiro voluntário.
Chama a atenção a velocidade: em quatro dias, Câmara e Senado agiram, e a renúncia não serviu de escudo. As instituições do país vizinho não esperaram o assunto esfriar. Agora falta a parte que importa para o povo, que é o dinheiro voltar para quem perdeu, e a Justiça decidir com prova se houve crime.
Fontes: Poder360: paraguaios comemoram a destituição de Peña, Poder360: Santiago Peña é preso no Paraguai, Poder360: novo presidente promete corte de gastos, Poder360: Paraguai abriga 270 mil brasileiros, Metrópoles: crise bancária afeta serviços públicos no Paraguai. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






