Governistas pedem revisão da autonomia do BC depois que Copom trava a Selic em 13,75%
Lindbergh diz que o Banco Central parou de cortar juros porque Lula ganhou. A oposição responde que o problema é a gastança do governo e defende o modelo atual.

A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) depois da eleição virou briga política no Congresso. Na quarta-feira (4), o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, por unanimidade, e interrompeu uma sequência de cinco cortes seguidos que tinha começado em março, quando a Selic estava em 15%.
Desde então, deputados da base de Lula passaram a acusar o BC de punir a vitória do presidente nas urnas e a pedir que o Congresso reveja a autonomia da instituição. A oposição foi para o lado contrário e saiu em defesa do modelo em vigor.
O que disse a base do governo
O tom mais duro veio do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Segundo ele, o mercado contava com a vitória de Flávio Bolsonaro e com um corte de 0,25 ponto, e mudou de ideia depois do resultado.
Vergonha! O BC interrompe a queda de juros porque o Lula ganhou. Simples assim.
Lindbergh Farias, deputado federal (PT-RJ)
O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) defendeu levar o tema ao plenário e disse que a autonomia do Banco Central precisa ser revista. Segundo o blog de Valdo Cruz, no g1, setores do PT e auxiliares do presidente também criticaram a decisão, e parte desse grupo quer que Lula indique para a diretoria do BC nomes mais favoráveis à queda dos juros.
O que disse a oposição
O senador Jorge Seif (PL-SC) inverteu a acusação e pôs a culpa no Planalto. Para ele, o governo trata a Selic como instrumento eleitoral e ignora o efeito no dólar e no custo de vida.
A política monetária exige responsabilidade fiscal e visão de longo prazo, não populismo e gastança.
Jorge Seif, senador (PL-SC)
Por que o BC parou
No comunicado, o Copom citou dúvidas sobre o ajuste das contas públicas e pressão de inflação no horizonte próximo. A maior parte do mercado já esperava a pausa. O economista Cesar Bergo, da UnB, ouvido pelo ND+, afirmou que a decisão foi técnica e apontou o dólar perto de R$ 5,50, acima dos R$ 5,20 projetados para dezembro.
As vagas na diretoria
Há duas vagas abertas na diretoria do Banco Central, e outras duas abrem em fevereiro. Interlocutores de Lula ouvidos pelo blog de Valdo Cruz disseram que ele não pretende escolher nomes alinhados à queda dos juros, para não criar crise com investidores nem passar a ideia de interferência. A próxima reunião do Copom é em dezembro.
Análise F5 ao vivo
A autonomia do Banco Central está na Lei Complementar 179, de 2021, aprovada pelo Congresso. Ela dá mandato fixo ao presidente e aos diretores justamente para que a taxa de juros não mude conforme o humor de quem ganha a eleição. Dizer que o BC parou de cortar "porque o Lula ganhou" é pedir exatamente o contrário: um Banco Central que obedeça o resultado das urnas.
O próprio comunicado do Copom aponta o que trava os juros: dúvida sobre as contas públicas e inflação acima da meta. Quem quer juro menor tem um caminho mais curto do que mudar lei: apresentar um plano fiscal crível. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, prepara medidas nesse sentido, e é isso que o mercado vai pesar em dezembro.
Mudar a autonomia exigiria maioria absoluta nas duas Casas, e o Congresso que toma posse em fevereiro é de maioria de direita. A ameaça serve mais para pressionar Galípolo e os novos diretores do que para virar lei. O risco está aí: diretor escolhido para baixar juro por ordem política custa caro no dólar e no preço do supermercado.
Fontes: ND+, SpaceMoney (com o blog de Valdo Cruz, g1), Poder360, O Tempo. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






