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Jogadores do Goiás param por salário atrasado e voltam a treinar antes da Ponte Preta

Elenco cruzou os braços na quinta, cobrou a diretoria ao lado da Força Jovem e retomou os treinos na sexta. O presidente interino admite que não há data para pagar quase quatro meses de salário.

Por Redação F5 ao vivo
Estádio Hailé Pinheiro, a Serrinha, em dia de jogo do Goiás
Estádio Hailé Pinheiro, a Serrinha, onde o Goiás recebe a Ponte Preta no domingo Foto: Boaventuravinicius (CC BY-SA 4.0)

O elenco do Goiás não treinou na manhã da quinta-feira (5) no CT Edmo Pinheiro, em Goiânia. Foi um protesto contra os salários atrasados, a duas rodadas do fim da primeira fase da Série B. Na sexta (6), segundo O Popular, os jogadores voltaram ao campo e seguem a preparação para o jogo de domingo (8) contra a Ponte Preta, na Serrinha.

Quanto o clube deve

De acordo com o Diário de Goiás, o clube tem três meses de salário em carteira e três meses de direito de imagem em atraso com os atletas, e as duas contas completam quatro meses na segunda-feira (9). O Goiás também deve sete premiações por resultado, os chamados bichos, de R$ 155 mil cada, o que soma R$ 1,085 milhão.

Os funcionários do clube também estão sem receber. São um mês de salário atrasado, que chega a dois na segunda. Os balancetes do próprio Goiás mostram déficit acima de R$ 21 milhões entre janeiro e setembro de 2026.

A reunião com a torcida

Depois da paralisação, os jogadores se reuniram na sede da Serrinha com a diretoria e com a torcida organizada Força Jovem. Estavam lá o presidente executivo interino, Munir Calixto Júnior, o diretor financeiro, Leonardo Pacheco, e o candidato à presidência Geraldo Neto, que acompanhou a conversa sem falar. Cerca de 30 torcedores fizeram um protesto pacífico do lado de fora, segundo O Hoje.

O presidente da Força Jovem, Iron Kioma, saiu do encontro dizendo que a diretoria não apresentou data para pagar ninguém. Ele também contou que faltam itens básicos no CT, como manteiga e fornecedor de pão.

"Não tem nada concreto"

Iron Kioma, presidente da Força Jovem, ao O Hoje

O que diz o presidente

Munir Calixto admitiu ao O Popular que não existe previsão para quitar os atrasos. Ele diz que o clube assinou toda a papelada de um empréstimo de R$ 11,4 milhões e que o banco ainda não respondeu. Segundo o dirigente, a diretoria tem garantias para pagar o elenco até o fim do ano, quando termina o mandato. Um novo presidente assume em dezembro para o triênio 2027 a 2029.

"Quando você não tem dinheiro, é difícil"

Munir Calixto Júnior, presidente interino do Goiás, ao O Popular

Para aliviar o elenco, a Federação Goiana de Futebol antecipou ao clube mais de R$ 400 mil. O dinheiro estava reservado para pagar três dos bichos atrasados nesta sexta, mas não cobre salário nem direito de imagem.

A conta do acesso

Dentro de campo, o time de Mozart Santos vive o melhor momento do ano. São cinco jogos sem perder, com quatro vitórias. O Goiás tem 55 pontos e está em sétimo, empatado com o CRB, que fica em sexto pelo saldo de gols. Sport e Atlético-GO também brigam pelas últimas vagas do grupo de acesso. Depois da Ponte Preta, em casa, o Esmeraldino fecha a primeira fase contra o Sport, na Ilha do Retiro.

Análise F5 ao vivo

O torcedor goiano está diante de um paradoxo. O elenco que não recebe há quase quatro meses é o mesmo que emendou cinco jogos sem derrota e mantém o clube vivo na briga pela Série A. A paralisação de um dia foi um recado, e a volta ao treino no dia seguinte mostra que os jogadores separaram o protesto do compromisso com o campo.

A diretoria não tem o mesmo crédito. Um empréstimo que depende só da boa vontade do banco, uma antecipação da federação que paga parte dos bichos e uma promessa para o fim do ano, quando outra gestão já estará chegando, não formam um plano. Quem vai pagar a conta de verdade é o próximo presidente, e o goiano merece saber antes da eleição do clube o que cada candidato fará com uma dívida desse tamanho.

Domingo, a Serrinha precisa estar cheia. Os jogadores entregaram o que podiam. Agora o clube precisa fazer a parte dele fora de campo.

Fontes: O Hoje, Diário de Goiás, O Popular. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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