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Senadores eleitos preparam reforma do STF com mandato fixo e fim das decisões de um ministro só

Com 29 cadeiras do PL a partir de 2027, a oposição quer mudar as regras de indicação, criar mandato e limitar as monocráticas. Para mexer na Constituição, precisa de 49 votos no Senado.

Por Redação F5 ao vivo
Fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília
Fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília Foto: Agência Senado (CC BY 2.0)

Os senadores eleitos em outubro chegam a Brasília em fevereiro de 2027 com uma pauta pronta para o Supremo Tribunal Federal. O plano é fixar mandato para os ministros, mudar a forma de indicação e acabar com as decisões tomadas por um ministro sozinho, sem passar pelo plenário. A informação foi publicada neste sábado (7) pela Gazeta do Povo, que ouviu parlamentares e juristas.

O PL terá 29 senadores na próxima legislatura. Somado ao Novo e a nomes de outros partidos, o grupo que defende o impeachment de ministros deve reunir cerca de 45 senadores, segundo a reportagem.

O que os eleitos querem mudar

Carlos Jordy (PL-RJ), eleito com 3,9 milhões de votos, e Caroline de Toni (PL-SC) são as vozes mais claras da proposta. Os dois deixam a Câmara e chegam ao Senado com a bandeira de limitar as monocráticas e a interferência do Supremo no Congresso.

Temos que discutir mudanças para a formação do Supremo Tribunal Federal

Caroline de Toni, senadora eleita (PL-SC)
  • Mandato fixo para ministro, no lugar do cargo até a aposentadoria aos 75 anos
  • Idade mínima maior para entrar na Corte, hoje de 35 anos
  • Outra forma de indicação, dividindo a escolha que hoje é só do presidente da República
  • Fim das decisões monocráticas que suspendem leis e atos do Congresso

Propostas que já existem

O tema não é novo no Congresso. Em 2019, o senador Plínio Valério (PSDB-AM), reeleito agora, apresentou uma PEC que limita a 12 anos o mandato no STF. Ele cita o caso de Dias Toffoli, indicado por Lula em 2009 aos 41 anos, que pode ficar mais de 30 anos no cargo. No mesmo ano, o então deputado Paulo Ganime (Novo-RJ) propôs mandato de 12 anos e indicações divididas entre Executivo, Câmara, Senado e o próprio STF.

A proposta que andou mais foi a PEC 8/2021, do senador Oriovisto Guimarães. Ela proíbe que um ministro sozinho suspenda lei ou ato dos presidentes da República, da Câmara e do Senado. O Senado aprovou o texto em 22 de novembro de 2023, por 52 votos a 18. Na Câmara, a CCJ aprovou a admissibilidade em outubro de 2024; o texto ainda dependia de comissão especial e de votação em plenário.

A conta dos votos

Mudar a Constituição exige três quintos dos votos em dois turnos nas duas Casas, como manda o artigo 60, parágrafo 2º. No Senado, isso significa 49 dos 81 senadores. Com 45, o grupo ainda precisaria de pelo menos quatro votos de fora.

Parte das mudanças pode vir sem PEC. Ajustes de pauta, prazo para levar liminar ao plenário e regras de transparência cabem no regimento interno do próprio STF, segundo juristas ouvidos pela Gazeta. O presidente da Corte, Edson Fachin, estuda um Código de Ética para os ministros desde o início do ano, com relatoria de Cármen Lúcia, que pretende entregar o texto antes do fim de 2026.

Análise F5 ao vivo

O artigo 2º da Constituição diz que os Poderes são independentes e harmônicos. Quando um ministro sozinho suspende uma lei votada por 513 deputados e 81 senadores, a harmonia vira tutela. A PEC 8 não tira poder do Supremo: obriga o tribunal a decidir como colegiado, que é como a Constituição o desenhou.

O Senado aprovou essa proposta há quase três anos, e ela ainda não virou regra. A pressão agora vem de quem foi eleito prometendo destravá-la. O teste é simples: se a bancada chegar aos 49 votos, a reforma sai do discurso. Se não chegar, o eleitor vai saber quem segurou.

Fontes: Gazeta do Povo, Bahia Notícias (aprovação da PEC 8/2021 no Senado), Gazeta do Povo (Código de Ética do STF). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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