Senado de 2027 terá 49 nomes a favor do impeachment de ministros do STF, mas faltam 5 votos
Levantamento feito depois da eleição de domingo mostra 32 eleitos e 17 senadores atuais que já defenderam o impeachment. Para afastar um ministro são precisos 54 votos, e uma liminar de Gilmar Mendes ainda trava o caminho.

O Senado que toma posse em 1º de fevereiro de 2027 terá pelo menos 49 senadores que já defenderam em público o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. A conta foi feita depois do primeiro turno de domingo (4), a partir das posições declaradas pelos candidatos, e saiu nesta segunda-feira (5) em levantamento da colunista Malu Gaspar, de O Globo, repercutido pelo Metrópoles e por outros veículos.
São 32 eleitos agora e 17 senadores que seguem na Casa e já tinham essa posição. O número supera a maioria simples da Casa, que tem 81 cadeiras, mas fica abaixo dos 54 votos, dois terços do plenário, exigidos para condenar um ministro.
Quem entra no grupo
O PL concentra a maior parte dos novos nomes, com 19 eleitos no grupo, segundo o Metrópoles. A federação União-Progressista, o Novo e o MDB aparecem com três cada, e o Republicanos com dois. Entre os eleitos estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (PL-DF), Carlos Bolsonaro (PL-SC), Sergio Moro (PL-PR), Deltan Dallagnol (Novo-PR), Marcel van Hattem (Novo-RS), Guilherme Derrite (PP-SP) e Reinaldo Azambuja (PL-MS).
O próprio levantamento faz uma ressalva: o grupo não é uma bancada formal nem um bloco partidário. Defender o instrumento do impeachment em campanha não garante voto contra um ministro específico num processo real.
Nós precisamos fazer um impeachment constitucional de Alexandre de Moraes.
Deltan Dallagnol, senador eleito pelo Paraná, na noite da eleição
O alvo e os pedidos parados
Moraes é o ministro mais citado. Há cerca de 100 pedidos de impeachment de ministros do STF protocolados no Senado, a maioria contra ele, segundo o Metrópoles. Quem decide se um pedido anda, fica parado ou vai para o arquivo é o presidente do Senado. Até hoje nenhum ministro do Supremo perdeu o cargo por impeachment no Brasil.
A liminar que mudou as regras
Mesmo com votos, o caminho esbarra numa decisão do próprio STF. Em dezembro de 2025, o ministro Gilmar Mendes suspendeu por liminar trechos da Lei 1.079, de 1950, a lei do impeachment, nas ADPFs 1259 e 1260. A decisão passou a exigir dois terços dos senadores já para abrir o processo, e não mais maioria simples, e proibiu que o conteúdo de votos e decisões judiciais sirva de base para acusar um ministro.
Dias depois, Gilmar recuou num ponto e devolveu a outros cidadãos, além do procurador-geral da República, o direito de apresentar a denúncia. O restante continua valendo. A liminar ainda espera o referendo do plenário do STF e não tem data para ser julgada, segundo o Migalhas.
Análise F5 ao vivo
A eleição de domingo deu ao Senado um recado claro: dezenas de eleitos fizeram campanha dizendo que o Supremo passou do limite e que o Senado precisa voltar a exercer o papel que a Constituição lhe deu. O art. 52, II, diz que compete privativamente ao Senado processar e julgar os ministros do STF nos crimes de responsabilidade. O art. 85, parágrafo único, manda que esses crimes sejam definidos em lei especial, e quem faz lei é o Congresso.
Por isso a liminar de Gilmar Mendes merece crítica firme. Um ministro do Supremo, sozinho, mudou o quórum de um processo que pode ser aberto contra ele mesmo e contra os colegas, e tirou do Senado a possibilidade de examinar decisões como prova de abuso. É o tribunal julgando as regras do próprio julgamento, o que fere a separação dos Poderes do art. 2º. Uma decisão desse tamanho não poderia seguir por quase um ano sem passar pelo plenário.
Os 49 nomes ainda não fecham a conta dos 54, e promessa de campanha não é voto em plenário. O teste real vem em 2027: se o novo Senado vai cobrar o referendo da liminar, votar uma nova lei do impeachment e tirar da gaveta os pedidos que dependem só da vontade do presidente da Casa.
Fontes: Metrópoles: bancada pró-impeachment de ministros do STF deve chegar a 49 senadores, Alô Alô Bahia: 32 senadores eleitos tinham como pauta o impeachment de ministros do STF, Gazeta do Paraná: eleito ao Senado, Deltan promete trabalhar por impeachment de Moraes, STF: suspensão parcial da decisão sobre a Lei do Impeachment, Migalhas: impeachment de ministros do STF volta ao radar; liminar barra avanço. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






