PF arquiva apuração pedida pela AGU sobre suposta interferência dos EUA na eleição
Inteligência da Polícia Federal não achou elementos mínimos para abrir inquérito sobre o projeto americano que previa cerca de R$ 5 milhões para grupos críticos à censura do STF.

A Polícia Federal arquivou nesta quarta-feira (7) a apuração preliminar sobre uma suposta interferência do governo dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O pedido tinha partido da Advocacia-Geral da União (AGU) na semana passada.
A Diretoria de Inteligência da PF concluiu que não havia elementos mínimos para justificar a abertura de um inquérito formal. A AGU já foi avisada do arquivamento.
O que estava na mira
O alvo era um projeto do Departamento de Estado americano chamado "Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil". A iniciativa previa cerca de US$ 1 milhão, perto de R$ 5 milhões, para organizações que se opõem ao que o texto chama de abuso de poder judicial e censura por parte do STF.
O dinheiro faz parte de um pacote de cerca de US$ 175 milhões do principal fundo de direitos humanos e democracia do Departamento de Estado, distribuído entre vários países. O projeto ganhou destaque depois de uma reportagem do jornal britânico The Guardian.
Anúncio no dia da votação
A apuração foi anunciada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, no domingo (4), dia do primeiro turno. Na mesma ocasião, ele disse que a representação da AGU tinha sido mandada para a área de inteligência.
"Não havia nenhum indicativo concreto de interferência internacional"
Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, no domingo (4)
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, também afirmou que os relatórios da Corte não apontavam risco de interferência estrangeira no processo eleitoral.
Pano de fundo
A relação entre Washington e o Judiciário brasileiro está tensa desde julho de 2025, quando os Estados Unidos aplicaram a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. As sanções foram revogadas em dezembro. O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro.
Análise F5 ao vivo
O arquivamento confirma o que o próprio diretor da PF disse no domingo: não havia nada concreto. Mesmo assim, a máquina do Estado foi acionada, em pleno dia de votação, contra um projeto cujo objetivo declarado é apoiar quem critica decisões do Supremo.
Criticar o STF não é crime nem ameaça à eleição. A Constituição garante a livre manifestação do pensamento (art. 5º, IV), a liberdade de expressão sem censura (art. 5º, IX) e proíbe qualquer restrição à informação (art. 220). Usar a AGU e a PF para tratar esse debate como caso de polícia inverte a lógica: quem denuncia censura vira suspeito.
A PF fez o certo ao arquivar por falta de elementos. Fica a pergunta sobre quem decidiu levar ao público, no dia da votação, uma suspeita que a própria polícia já dizia não ter base.
Fontes: Poder360, CNN Brasil, Gazeta do Povo. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






