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Campanha de Lula pede a evangélicos "relógio de oração" até o fim da apuração

O grupo Evangélicos com Lula convocou apoiadores a reservar horários de oração entre quarta (30) e as 19h de domingo (4), quando termina a apuração do primeiro turno.

Por Redação F5 ao vivo
Lula fala ao microfone em encontro com pastores, em 16 de setembro
Lula em encontro com pastores brasileiros e dos EUA, em 16 de setembro Foto: Lula Oficial (CC BY-SA 4.0)

A campanha do presidente Lula (PT), candidato à reeleição, convocou apoiadores evangélicos para um "relógio de oração" que vai até o fim da apuração do primeiro turno. A mensagem circulou na quarta-feira (30) no grupo Evangélicos com Lula, ligado à campanha.

Como funciona

Cada apoiador escolhe um horário e separa alguns minutos do dia para orar. A corrente começou na quarta e segue até as 19h de domingo (4), horário previsto para o fim da contagem dos votos.

Faremos um Relógio de Oração pela vida do presidente Lula

Trecho da convocação do grupo Evangélicos com Lula

Segundo a convocação, os pedidos incluem a família do presidente, sabedoria, proteção e que a justiça, a verdade e a paz prevaleçam no país.

Repetição de 2022

A estratégia não é nova. Em 2022, três dias antes do primeiro turno, a equipe de Lula pediu 24 horas de oração aos apoiadores evangélicos.

A convocação chega numa reta final em que a religião ocupou o centro da campanha. Nos últimos dias, uma informação falsa envolvendo Nossa Senhora Aparecida gerou perto de 1 milhão de publicações nas redes em menos de três dias, e Lula passou a citar a padroeira em todos os eventos desde o domingo (27).

Os evangélicos somam 29% da população, segundo pesquisa Iser/Quaest divulgada nesta semana, e são disputados pelas principais candidaturas.

Análise F5 ao vivo

Orar por um governante não tem nada de errado. A Bíblia manda fazer isso por todos os que estão em autoridade, e qualquer cristão pode pedir a Deus por um candidato, de qualquer partido. A Constituição protege a liberdade de crença e de culto (art. 5º, VI), e essa liberdade vale para quem está com Lula e para quem está contra ele.

A linha que importa é outra. A lei eleitoral proíbe propaganda dentro de templos (Lei 9.504/1997, art. 37, § 4º), e a Constituição separa Estado e igreja (art. 19, I). Uma corrente de oração organizada por um comitê de campanha, com horário marcado até o fim da apuração, mistura o altar com o palanque. O fiel decide se aceita esse convite. A igreja, como instituição, não deveria ser arrastada para ele.

A pesquisa Iser/Quaest mostra que o próprio povo evangélico pensa assim: 90% são contra campanha dentro dos espaços religiosos. Quem quer o voto do crente faria bem em respeitar a fé dele antes de convocá-la.

Fontes: Estadão, via Diário do Grande ABC, A Crítica de Campo Grande, Agência Brasil (pesquisa Iser/Quaest). Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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