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Dino manda PF investigar ataques a imagens religiosas em sete estados

Ministro do STF citou vandalismo contra igrejas, imagens de santos e terreiros a partir de relatos que chegaram ao gabinete. A Polícia Federal abriu inquérito no mesmo dia.

Por Redação F5 ao vivo
Flávio Dino cercado de microfones de jornalistas em 2023
Flávio Dino em 2023, quando ainda era ministro da Justiça, ao comentar a indicação ao STF. Foto: Agência Senado (CC BY 2.0)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou a Polícia Federal investigar o que chamou de onda de ataques a imagens religiosas no país. A ordem saiu nesta quarta-feira (30). Ele também pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalie se é o caso de abrir um processo.

Segundo o g1, a PF instaurou um inquérito no mesmo dia para apurar os ataques a imagens sacras, igrejas e terreiros.

Os casos citados

Dino escreveu que, depois de uma decisão dele no domingo (27) sobre publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida, o gabinete recebeu, por vários meios, relatos de ataques a imagens religiosas nos últimos meses. Os casos listados aconteceram em sete estados:

  • Bahia: vandalismo numa paróquia de Salvador e, em Santo Amaro, a denúncia de uma mãe de santo contra um pastor que, segundo ela, destruiu um assentamento num terreiro;
  • Paraná: imagens de santos destruídas numa loja de Londrina;
  • Rio Grande do Sul: imagens sacras quebradas dentro da Catedral de São Pedro, em Rio Grande;
  • Alagoas: imagem de Nossa Senhora vandalizada no bairro de Jatiúca, em Maceió;
  • Minas Gerais: terreiro de umbanda atacado na Grande Belo Horizonte;
  • Mato Grosso: um homem quebrou com um machado uma imagem de Nossa Senhora Aparecida numa capela e disse ter agido "a mando de espíritos";
  • Pará: imagem de Nossa Senhora Aparecida incendiada às margens da BR-163, em Novo Progresso.

Como o caso começou

A ordem vem no meio da briga judicial sobre publicações que ligavam o candidato Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta proposta de tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Flávio nega que exista qualquer proposta assim.

No domingo (27), Dino derrubou sozinho a ordem do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que mandava as redes tirarem esses posts do ar. Na segunda (28) à noite, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino. Segundo o Conjur, Fux apontou que a decisão foi estendida numa reclamação que tratava de outro caso, a pedido de quem não era parte dele.

Na quarta (30), o plenário do TSE manteve fora do ar os posts que tratavam a proposta como fato.

Análise F5 ao vivo

Atacar imagem sagrada é crime e tem que ser punido, numa catedral, numa capela ou num terreiro. O Código Penal trata disso no artigo 208. Ninguém aqui defende vândalo.

O problema é quem mandou investigar e como. A Constituição diz quais casos o STF julga (artigo 102), e vandalismo numa paróquia de Salvador ou numa loja de Londrina não está nessa lista. A ação penal é função do Ministério Público (artigo 129), não de juiz. E a Polícia Federal cuida de crimes federais (artigo 144); dano a imagem numa igreja de bairro é, em regra, caso da polícia do estado.

Desde 2019 o Código de Processo Penal diz, no artigo 3º-A, que o juiz não tem iniciativa na fase de investigação. Na prática, um ministro leu notícias que chegaram ao gabinete e acionou a PF por conta própria. É o juiz fazendo papel de delegado. Quando a Corte mais alta do país age assim, ninguém mais sabe onde fica o limite.

Fontes: g1, Conjur. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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