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Pesquisa Iser/Quaest: 90% dos fiéis rejeitam campanha eleitoral dentro da igreja

Estudo com 15 mil entrevistas mostra que a maioria não quer pastor nem padre indicando voto. E 66% usam o WhatsApp para manter a comunidade da igreja unida.

Por Redação F5 ao vivo
Fachada do Templo Central da Assembleia de Deus em Fortaleza
Templo Central da Assembleia de Deus em Fortaleza Foto: Porto Neto (CC BY-SA 4.0)

Os cristãos brasileiros estão no centro da disputa eleitoral, mas não querem a igreja virando comitê. É o que mostra a pesquisa Iser/Quaest sobre religião e política, divulgada nesta semana pela Agência Brasil.

O levantamento ouviu 15 mil pessoas em entrevistas presenciais, em 412 municípios e nas 27 capitais, entre janeiro e fevereiro de 2026. A margem de erro é de 1 ponto. A pesquisa trata de religião e comportamento, não de intenção de voto.

O que os fiéis rejeitam

  • 90% são contra campanha eleitoral dentro dos espaços religiosos;
  • 83% são contra pastores e padres indicarem em quem votar;
  • 82% rejeitam discussão política durante cultos e missas.

Quem são os evangélicos hoje

Os evangélicos são 29% da população, e os católicos, 50%. Entre os evangélicos, 70% são pentecostais. A Assembleia de Deus reúne 32% deles. Batistas somam 10%, a Congregação Cristã, 7%, a Universal, 5%, e a Quadrangular, 4%. Outros 10% se dizem evangélicos sem igreja.

A igreja mora no WhatsApp

Um dado chama atenção fora da política: 66% usam o WhatsApp para articular a comunidade religiosa. Grupo de célula, aviso de culto, pedido de oração e escala de ministério passam pelo celular.

Para a pesquisadora Lívia Reis, do Iser, a religião pesa no voto menos por transferência direta e mais pela formação de valores e identidade, num processo que ela chama de mediação religiosa do voto e que passa pelas redes digitais.

Análise F5 ao vivo

Quem tem empresa pode tirar daqui uma lição que vale para qualquer comunidade. O público aceita ser chamado, mas rejeita ser usado. A mesma pessoa que participa do grupo da igreja todos os dias se afasta quando sente que o espaço de confiança virou balcão. Marca que trata seu grupo de clientes no WhatsApp como lista de disparo sente esse efeito do mesmo jeito.

O segundo ponto é o canal. Se dois em cada três fiéis organizam a vida da igreja pelo WhatsApp, o aplicativo já é a praça da comunidade. Negócios que atendem esse público, de livrarias a escolas, cafés e prestadores de serviço, precisam estar presentes ali com utilidade, horário certo e respeito ao assunto do grupo.

Em semana de eleição, vale também para o empresário: separar a loja do palanque protege o caixa. O cliente cristão, como mostra a pesquisa, quer ter fé, ter opinião e decidir o voto sozinho.

Fontes: Agência Brasil, Portal O Dia. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

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