Papa Leão XIV recebe luteranos e pede volta às raízes que católicos e protestantes têm em comum
No Vaticano, o papa chamou a Confissão de Augsburgo, texto fundador do luteranismo, de documento de reconciliação e mirou os 500 anos dela, em 2030.

O papa Leão XIV recebeu na manhã de quinta-feira (1º), no Vaticano, uma comitiva da Federação Luterana Mundial. A entidade reúne a maior parte das igrejas luteranas do planeta, as herdeiras diretas da Reforma de Martinho Lutero.
A delegação foi chefiada pelo presidente da federação, o bispo dinamarquês Henrik Stubkjær, e pela secretária-geral, a pastora Anne Burghardt. O papa agradeceu a visita e disse ver com satisfação o amadurecimento da relação entre católicos e luteranos nas últimas décadas.
O recado central
O ponto mais forte do discurso foi um apelo para que os dois lados voltem ao que têm em comum antes das divisões do século 16.
Voltemos, com profunda devoção, às nossas raízes comuns
Leão XIV, papa
O papa também pediu que Cristo não se torne uma palavra estranha no mundo de hoje. Na visão dele, a sociedade precisa de cristãos de igrejas diferentes que deem testemunho juntos.
Augsburgo, 1530
Leão XIV dedicou boa parte da fala à Confissão de Augsburgo. O texto foi apresentado em 1530 ao imperador Carlos V e é considerado a primeira exposição oficial da fé protestante. O papa defendeu que o documento seja lido como um texto de reconciliação, e não de ruptura.
Em 2030 a Confissão completa 500 anos. Segundo o papa, a data pode virar um momento para avançar no diálogo rumo a uma unidade cristã que ele chamou de plena e visível.
O que já foi acertado
O passo mais conhecido dessa aproximação é de 1999, quando católicos e luteranos assinaram a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação. Ela tratou de um dos pontos que mais separaram as duas tradições desde Lutero: como a pessoa é salva diante de Deus.
Análise F5 ao vivo
Para o evangélico brasileiro, a notícia parece distante, mas toca num ponto que vale para qualquer igreja: o que une os cristãos é Cristo, a Escritura e a fé dos apóstolos. As diferenças entre católicos e protestantes continuam reais, e nenhum discurso apaga isso. Mesmo assim, reconhecer uma base comum é melhor do que tratar o irmão de outra tradição como inimigo.
O momento ajuda a entender o peso da fala. No Brasil, a religião virou munição na reta final da campanha, com imagem queimada, boato sobre padroeira e acusação para todo lado. Ouvir um líder religioso falar em raízes comuns, e não em trincheira, é um contraponto bem-vindo.
Diálogo não é rendição de doutrina. Cada fiel continua com a sua igreja e a sua convicção. O que o encontro mostra é que dá para discordar com respeito e, ainda assim, defender junto a liberdade de crer e de pregar.
Fontes: Vatican News, Santa Sé (discurso oficial), El Nuevo Diario. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






