Lojas de artigos religiosos viram alvo, e denúncias de intolerância chegam a 1.252 no semestre
Coquetel molotov em Fortaleza e imagens de santos quebradas em Londrina e Salvador entram na conta do Disque 100. Queixas de católicos dobraram em um ano.

Uma série de ataques a lojas e imagens religiosas em setembro voltou a pôr a intolerância religiosa em discussão no país. O balanço foi publicado pela Agência Brasil na noite de sexta-feira (2), com dados do Disque 100.
Comércio no alvo
O caso mais grave foi em Fortaleza. Na madrugada de 9 de setembro, quatro lojas de artigos religiosos do Centro, uma católica e três de umbanda, tiveram as fachadas atingidas por coquetéis molotov. Ninguém se feriu e o fogo ficou do lado de fora.
Na porta da loja católica, na Rua Floriano Peixoto, deixaram um cartaz com a ameaça "Se reabrir, todos morrem". A loja abriu normalmente no mesmo dia. Câmeras gravaram um suspeito de bicicleta, e a Polícia Civil do Ceará investiga. Até a última informação publicada, ninguém havia sido preso.
Um dia antes, em Londrina (PR), arrancaram a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em frente a uma loja de artigos religiosos. Em Salvador, uma imagem de Nossa Senhora das Graças foi quebrada no dia 11, e uma de Santa Dulce dos Pobres foi destruída no dia 22.
Os números
De janeiro a junho de 2026, o Disque 100 registrou 1.252 denúncias com pelo menos uma violação ligada à liberdade de crença. As queixas de fiéis do candomblé e da umbanda subiram de 192 para 270, alta de 40%. As de católicos passaram de 15 para 34, mais que o dobro.
O defensor público Igor Barreto, do Ceará, lembrou que o crime de intolerância religiosa não tem fiança nem prescrição. A pena é de 1 a 5 anos de reclusão, além de multa.
Análise F5 ao vivo
Para quem tem comércio, o recado de Fortaleza é direto. A loja virou alvo pelo que vende, e não por dívida ou briga. O dono que trabalha com artigo religioso, livraria cristã ou produto de fé precisa olhar para segurança como olha para estoque: câmera que grava a calçada, fachada iluminada à noite, contato com a polícia do bairro e seguro que cubra vandalismo.
Também vale guardar tudo. Imagem da câmera, boletim de ocorrência e registro no Disque 100 fazem diferença na investigação e no pedido ao seguro. A loja católica de Fortaleza abriu no dia seguinte, e essa decisão mostrou aos clientes que a ameaça não mandou na porta dela.
A Constituição garante no art. 5º, VI, a liberdade de crença e a proteção dos locais de culto. Quem vende, compra ou reza tem o mesmo direito de fazer isso em paz.
Fontes: Agência Brasil, GC Mais, O Povo. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






