Tarifaço dos EUA zera vendas de exportadoras, e acordo com Trump ainda não tem data
Empresas relatam queda de até 60% nas vendas aos EUA. Após reunião com Jamieson Greer, governo diz que os americanos mandam proposta nas próximas semanas.

Empresas brasileiras que vendiam para os Estados Unidos já sentem o tarifaço no caixa. Há casos de queda de 60% nas vendas para o mercado americano e casos em que o faturamento com os EUA foi a zero em 2026, segundo empresários ouvidos pelo g1.
A Engemasa, fabricante industrial, conta que os EUA eram 40% do faturamento em 2025 e não representam nada neste ano. A Utilinox, de máquinas e equipamentos, viu alguns produtos caírem 60% depois da alíquota de 50% sobre aço e alumínio.
O que saiu da reunião
Na quarta-feira (30), os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) se reuniram em Milwaukee com Jamieson Greer, representante comercial do governo Trump, durante o encontro de ministros de comércio do G20.
Segundo nota dos dois ministérios, os americanos ficaram de enviar "nas próximas semanas" uma proposta com o escopo da negociação, incluindo temas tarifários e não tarifários. Os dois lados também criaram um grupo de trabalho. Não houve data nem promessa de redução das tarifas.
Eles assumiram o compromisso de nos encaminhar nas próximas semanas um escopo das discussões
Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento
Hoje o Brasil enfrenta duas rodadas de tarifas americanas: 25%, sob a alegação de práticas desleais em temas como Pix, etanol e propriedade intelectual, e 12,5%, ligada ao combate a mercadorias feitas com trabalho forçado. O Brasil abriu consultas na Organização Mundial do Comércio, e o prazo para um entendimento lá é de 60 dias.
Para onde as empresas estão indo
De acordo com a ApexBrasil, cerca de 72% das 2,4 mil empresas atendidas pela agência que vendem aos EUA já passaram a atuar em pelo menos mais um país. União Europeia, América Latina, México, Canadá, Índia e China aparecem entre os destinos apontados.
O governo reforçou o crédito ao exportador. O Proex Financiamento recebeu R$ 2,2 bilhões e o Proex Equalização, R$ 1,28 bilhão em 2026. O programa Brasil Soberano soma R$ 13,5 bilhões do Tesouro e R$ 9,1 bilhões do BNDES para empresas atingidas.
Os mais vulneráveis, segundo representantes da indústria de máquinas, são as pequenas e médias empresas, que têm menos caixa e menos presença fora do país para trocar de cliente rápido.
Análise F5 ao vivo
A reunião de ontem abre conversa, não resolve nada. Proposta "nas próximas semanas" significa que o tarifaço deve atravessar o último trimestre inteiro. Quem depende do cliente americano precisa planejar o fim do ano como se as tarifas fossem ficar.
Para a pequena e média empresa, a lição vale mesmo para quem nunca exportou: concentração mata. Um cliente, um canal ou um país respondendo por 40% do faturamento é risco, não conquista. O momento pede caixa, crédito oficial bem usado e prospecção ativa em novos mercados, com vitrine digital pronta para ser encontrada por comprador de fora.
Fontes: g1: Tarifaço já derruba vendas de empresas brasileiras, g1: EUA devem enviar proposta de negociação, O Povo. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






