Pular para as notícias
Ao vivo Editorial: o ministro que se disse coagido manda prender quem o teria coagido
No Instagram

Rotativo do cartão bate recorde, e Lula diz que discute com o BC limite de um cartão por pessoa

Brasileiros usaram R$ 311 bilhões no rotativo até agosto, com juro de 445% ao ano. A ideia de Lula ainda não tem texto, mas mexe com quem vende parcelado.

Por Redação F5 ao vivo
Gabriel Galípolo, hoje presidente do Banco Central, em sabatina no Senado em 2023
Gabriel Galípolo, hoje presidente do Banco Central, em sabatina no Senado em 2023 Foto: Agência Senado (CC BY 2.0)

O uso do rotativo do cartão de crédito, a linha mais cara do mercado, chegou a R$ 311 bilhões nos oito primeiros meses de 2026, segundo dados do Banco Central. É recorde. No mesmo período de 2025 foram R$ 266 bilhões, e o ano passado inteiro fechou em R$ 403 bilhões.

O rotativo entra quando o cliente não paga a fatura inteira no vencimento. Em agosto, o juro médio dessa linha foi de 445% ao ano. No consignado, para comparar, as taxas vão de cerca de 24% a 56% ao ano.

A proposta de Lula

Em entrevista ao Flow Podcast, dada no Palácio da Alvorada na quinta-feira (1), o presidente Lula disse que discute com o Banco Central proibir os bancos de emitir mais de um cartão de crédito por pessoa.

Vamos proibir os bancos de dar mais que 1 cartão de crédito para as pessoas

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

Lula citou o caso de um pai que recebeu o quarto cartão em casa e acumulou dívida de R$ 80 mil. Também reclamou que bancos mandam cartão sem o cliente pedir.

Até agora não há texto, resolução nem prazo. Não se sabe como o limite funcionaria, quem seria atingido nem se valeria para cartões de loja. Não houve, até a publicação, posição oficial do Banco Central sobre a ideia.

Os números do endividamento

  • 101 milhões de brasileiros tinham cartão de crédito no começo do ano, segundo o BC.
  • Cerca de 40 milhões estavam com dívida no rotativo em janeiro.
  • A inadimplência da linha estava em 63,5%: de cada R$ 100 emprestados, mais de R$ 60 não foram pagos.

Desde janeiro de 2024, a lei limita os juros e encargos do rotativo ao valor da dívida original. Uma dívida de R$ 100 não pode passar de R$ 200 no total.

Análise F5 ao vivo

Para quem tem empresa, o cartão é o caixa. No varejo, nos serviços e no e-commerce, boa parte da venda passa pelo crédito parcelado. Um limite de um cartão por pessoa, se sair do papel, corta o limite disponível do consumidor e pode derrubar ticket médio e conversão, principalmente em compras maiores.

O problema do endividamento é real, e os números do BC mostram isso. Mas a ideia ainda é só uma fala de entrevista, sem regra escrita. Não vale mudar política de preço por causa dela agora.

O que vale fazer já: oferecer desconto no Pix e no débito, testar parcelamento sem juros só a partir de certo valor e acompanhar a taxa de recusa no cartão. Quem depende de um único meio de pagamento fica exposto a qualquer mudança vinda de Brasília.

Fontes: g1, Poder360. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.

Gostou? Mande para quem precisa saber

Veja também