Rotativo do cartão bate recorde, e Lula diz que discute com o BC limite de um cartão por pessoa
Brasileiros usaram R$ 311 bilhões no rotativo até agosto, com juro de 445% ao ano. A ideia de Lula ainda não tem texto, mas mexe com quem vende parcelado.

O uso do rotativo do cartão de crédito, a linha mais cara do mercado, chegou a R$ 311 bilhões nos oito primeiros meses de 2026, segundo dados do Banco Central. É recorde. No mesmo período de 2025 foram R$ 266 bilhões, e o ano passado inteiro fechou em R$ 403 bilhões.
O rotativo entra quando o cliente não paga a fatura inteira no vencimento. Em agosto, o juro médio dessa linha foi de 445% ao ano. No consignado, para comparar, as taxas vão de cerca de 24% a 56% ao ano.
A proposta de Lula
Em entrevista ao Flow Podcast, dada no Palácio da Alvorada na quinta-feira (1), o presidente Lula disse que discute com o Banco Central proibir os bancos de emitir mais de um cartão de crédito por pessoa.
Vamos proibir os bancos de dar mais que 1 cartão de crédito para as pessoas
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
Lula citou o caso de um pai que recebeu o quarto cartão em casa e acumulou dívida de R$ 80 mil. Também reclamou que bancos mandam cartão sem o cliente pedir.
Até agora não há texto, resolução nem prazo. Não se sabe como o limite funcionaria, quem seria atingido nem se valeria para cartões de loja. Não houve, até a publicação, posição oficial do Banco Central sobre a ideia.
Os números do endividamento
- 101 milhões de brasileiros tinham cartão de crédito no começo do ano, segundo o BC.
- Cerca de 40 milhões estavam com dívida no rotativo em janeiro.
- A inadimplência da linha estava em 63,5%: de cada R$ 100 emprestados, mais de R$ 60 não foram pagos.
Desde janeiro de 2024, a lei limita os juros e encargos do rotativo ao valor da dívida original. Uma dívida de R$ 100 não pode passar de R$ 200 no total.
Análise F5 ao vivo
Para quem tem empresa, o cartão é o caixa. No varejo, nos serviços e no e-commerce, boa parte da venda passa pelo crédito parcelado. Um limite de um cartão por pessoa, se sair do papel, corta o limite disponível do consumidor e pode derrubar ticket médio e conversão, principalmente em compras maiores.
O problema do endividamento é real, e os números do BC mostram isso. Mas a ideia ainda é só uma fala de entrevista, sem regra escrita. Não vale mudar política de preço por causa dela agora.
O que vale fazer já: oferecer desconto no Pix e no débito, testar parcelamento sem juros só a partir de certo valor e acompanhar a taxa de recusa no cartão. Quem depende de um único meio de pagamento fica exposto a qualquer mudança vinda de Brasília.
Fontes: g1, Poder360. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






