Carne do Brasil paga 67% na China e UE diz que veto pode durar mais de 2 anos
Cota chinesa sem sobretaxa acabou e a tarifa saltou. Na Europa, representante do bloco afirmou que é difícil liberar a carne bovina brasileira em menos de dois anos.

A carne bovina brasileira está pressionada nos dois maiores destinos fora do país ao mesmo tempo. Desde quinta-feira (1º), quem vende para a China paga tarifa total de 67%. E a União Europeia sinalizou que a reabertura do mercado europeu deve demorar.
O que mudou na China
O Brasil esgotou na terça-feira (29) a cota de 1,106 milhão de toneladas que podia entrar na China em 2026 sem sobretaxa. A partir daí, a tarifa normal de 12% ganhou um adicional de 55%.
O sistema de cotas foi criado pelo governo chinês no fim de 2025, para vários países, com o argumento de proteger os pecuaristas locais da carne importada mais barata.
Para 2027, o limite sobe para 1,128 milhão de toneladas. O presidente da Abiec, entidade dos frigoríficos exportadores, Roberto Perosa, estima que a nova cota pode acabar já em março ou abril.
Por isso, os frigoríficos planejam abater já em outubro e embarcar em novembro, para a carne chegar à China em janeiro. A Abiec também voltou a pedir ao governo que divida a cota entre as empresas, proposta que foi recusada para 2026.
O que disse a Europa
Desde 3 de setembro, a União Europeia não compra produtos de origem animal do Brasil. O bloco tirou o país da lista dos que cumprem suas regras sobre antimicrobianos na pecuária, remédios que a UE proíbe usar para acelerar o crescimento do animal.
Em entrevista ao g1, o chefe-adjunto da Delegação da UE no Brasil, Jean-Pierre Bou, disse que voltar a liberar a carne bovina em menos de dois anos parece difícil. O bloco exige prova de que o boi não recebeu essas substâncias durante a vida inteira, que dura em média dois anos.
Em princípio, parece difícil
Jean-Pierre Bou, chefe-adjunto da Delegação da UE no Brasil
Frango e mel já passaram por auditoria europeia com resultado positivo, segundo Bou, o que deve permitir a volta dessas vendas. Os exportadores pedem ao governo que negocie um período de transição para a carne bovina, e o bloco ainda não deu sinal de aceitar.
O efeito no setor
A Abiec estima que a exportação total de carne bovina do Brasil caia cerca de 10% em 2026 na comparação com 2025. Perosa chamou julho, agosto e setembro de meses duríssimos: menos vendas para a China, carne desviada para outros mercados e margem menor nos frigoríficos.
Análise F5 ao vivo
O pecuarista brasileiro produz uma das carnes mais competitivas do mundo e, mesmo assim, fecha o ano com a porta da China semiaberta e a da Europa trancada. O acordo com o Mercosul mal entrou em vigor e o bloco europeu já encontrou uma regra sanitária que, na prática, vale por dois anos de embargo.
Do lado de cá, faltou previsão. A cota chinesa foi anunciada no fim de 2025 e o governo não quis organizar a divisão entre os frigoríficos, o que virou corrida para embarcar e meses de caixa apertado. Em 2027 o setor já sabe o tamanho do problema. Se Brasília repetir a omissão, quem paga é o produtor do interior, que vende o boi mais barato porque o frigorífico não tem para quem exportar.
Fontes: g1 (UE e carne), g1 (tarifa da China), Diário do Comércio. Texto escrito pela redação com as próprias palavras, a partir das fontes citadas.






